São Paulo – A Braskem, petroquímica brasileira, aumentou em 55% as suas exportações no ano passado, segundo resultados divulgados pela companhia nesta quarta-feira (14). As vendas externas renderam US$ 6,5 bilhões, o equivalente a 33% da receita líquida. A empresa informou que o desempenho se deveu, entre outros fatores, à elevação de preços de alguns produtos, como o butadieno, cuja cotação avançou 50%.
A receita bruta consolidada da petroquímica ficou em R$ 39,8 bilhões em 2011, com aumento de 15% sobre o ano anterior, e a receita líquida, em R$ 33,2 bilhões, alta de 19%. A empresa explica que o crescimento foi influenciado pela elevação dos preços médios internacionais dos petroquímicos, que compensou o menor volume de vendas decorrente de paradas programadas e não programadas de manutenção. Ocorreram paradas em unidades do Nordeste em função da interrupção de fornecimento de energia na região.
O EBITDA, que é o lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização, ficou em R$ 3,7 bilhões e teve queda de 8% sobre o período anterior. "A queda é explicada pela compressão de margens do setor no segundo semestre do ano, pela apreciação média do real de 5% no período e pelo menor volume de vendas", afirma a Braskem em seu relatório. Com isso, o resultado líquido foi um prejuízo de R$ 517 milhões.
A companhia afirma que suas equipes permaneceram focadas "na manutenção da excelência operacional e em minimizar os impactos da contração econômica global provocada pelo recrudescimento da crise da dívida europeia no segundo semestre justamente quando os mercados ensaiavam uma recuperação, o que restringiu a demanda internacional por produtos petroquímicos afetando a rentabilidade do setor".
Desta maneira, a Braskem explicou que estes desafios da economia global, juntamente com a apreciação do real no primeiro semestre do ano e os incentivos concedidos por alguns portos a produtos importados – além das paradas não programadas em suas unidades – afetaram negativamente o desempenho operacional da companhia. No final de dezembro, a empresa tinha dívida líquida de US$ 6,3 bilhões, maior em 8% que no final de 2010.
Para 2012, segundo a Braskem, o cenário é de cautela, com os spreads da indústria petroquímica pressionados, apesar da melhora dos preços. "Espera-se um crescimento gradual na demanda e consequente recuperação de spreads a partir do segundo trimestre do ano”, afirma a petroquímica em seu relatório, referindo-se à diferença entre custos e preços dos produtos vendidos. A empresa afirma que no médio e longo prazos as perspectivas para a indústria petroquímica permanecem positivas.

