Alexandre Rocha
São Paulo – As exportações de autopeças brasileiras para os países árabes somaram US$ 23,4 milhões entre janeiro e maio deste ano, contra US$ 14,4 milhões no mesmo período de 2004, um aumento de 62%. Os números foram fornecidos pelo Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças). Embora a participação do mercado árabe no total dos embarques ainda seja pequena, quem atua no setor vê um grande potencial de crescimento.
"O potencial do mercado árabe é alto", disse Carlos Alberto da Costa e Silva, gerente de exportação da OEM, trading que atua exclusivamente na área de autopeças. "Hoje é um dos mercados em que mais investimos, porque é onde existe potencial para crescer. Outros destinos já chegaram ao seu limite", acrescentou.
Em sua avaliação, os países da região são propícios porque as montadoras brasileiras vendem para lá, o que cria a demanda pelas peças de reposição. Além disso, de acordo com ele, mesmo os veículos não importados do Brasil são pelo menos "similares" aos utilizados por aqui e podem usar os mesmo componentes. A indústria brasileira também produz peças compatíveis com diversos automóveis importados, como BMW, Mercedes-Benz e Volvo.
O setor de autopeças foi identificado, em estudos feitos pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB), como tendo grande potencial de exportação para a região. "Isso ficou demonstrado, inclusive, com as últimas duas delegações de empresários árabes que recebemos no Brasil, nas quais haviam importadores de produtos do setor", disse o presidente da CCAB, Antonio Sarkis Jr., referindo-se à missão organizada pela Associação de Empresários Jordanianos, que ocorreu em fevereiro, e ao Encontro Empresarial Brasil-Países Árabes, que foi realizado em maio após a cúpula dos países árabes e sul-americanos.
"Agora o pessoal está começando a conhecer a indústria brasileira de autopeças, e isso tem muito a ver também com o aumento das exportações de veículos, que torna as peças mais requisitadas", acrescentou Sarkis.
Os principais destinos na região são os Emirados Árabes Unidos, com importações de US$ 8,6 milhões até maio; o Egito, com US$ 5,1 milhões; a Arábia Saudita (US$ 2,8 milhões); a Síria (US$ 1,5 milhão); e o Kuwait (US$ 1,4 milhão).
Automechanika
Para ver de perto esse potencial, dez empresas brasileiras participaram da última edição da Automechanika, feira do setor que ocorreu em maio em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Uma delas foi a própria OEM, que enviou representantes ao evento pela segunda vez e tem no mercado da região uma boa fatia de seus negócios.
"Já temos muitos clientes na região. Então foi uma oportunidade de ver pessoalmente os clientes ativos, tentar reativar os inativos e também prospectar", disse Costa e Silva, acrescentando que a empresa vai participar novamente da edição do próximo ano, quando a delegação brasileira vai contar com o apoio da CCAB.
De acordo com ele, 15% do faturamento da OEM, que gira em torno de US$ 7 milhões por ano, vem das vendas aos países árabes. Costa e Silva acredita que há potencial para chegar aos 30%.
Outra empresa que esteve na feira foi a Birkson International, que produz autopeças elétricas, como ignições, alternadores, motores de arranque, entre outras. "A participação na feira foi boa, pois alavancou negócios para o nosso grupo", disse Ivan Fernandes, trader da companhia. "Nós notamos que quem foi à feira queria mesmo fazer negócios", acrescentou. Segundo Fernandes, a Birkison já tem vários clientes na região.
A Autotravi, de Caxias do Sul (RS), participou da mostra pela primeira vez. "Fomos para lá ver como é o mercado e os resultados foram bons, pois fizemos muitos contatos. Foi o caminho para o início dos negócios", disse Roberto Frantz, gerente de exportações da empresa que vende perfis e guarnições de borracha para 20 países. Ele lembrou que Dubai funciona como um grande centro de distribuição de produtos, não só para os países árabes, mas também para outras nações da Ásia, Oriente Médio e África.
Essa foi a terceira edição da Automechanika em Dubai. De acordo com a Messe Frankfurt, promotora do evento, participaram mais de 7 mil compradores e 450 empresas expositoras de 37 países.
Setor em crescimento
No ano passado, o setor de autopeças movimentou US$ 16,5 bilhões no Brasil. Para este ano, o Sindipeças prevê um aumento de 12,7% para US$ 18,6 bilhões. As exportações do setor chegaram a US$ 6 bilhões em 2004.
Até maio de 2005, os embarques já renderam quase US$ 2,9 bilhões, um aumento de 33% sobre o resultado do mesmo período do ano passado. A previsão para o fechamento deste ano, segundo o Sindipeças, é de US$ 6,7 bilhões em exportações.
O segmento empregava 187 mil pessoas no país até dezembro de 2004. Este ano, de acordo com o Sindipeças, a estimativa é de que o número de trabalhadores chegue a 198 mil.

