Isaura Daniel
isaura.daniel@anba.com.br
São Paulo – As indústrias brasileiras do setor de celulose e papel devem fechar o ano com aumento de 16% nas exportações. O percentual é uma projeção da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), que prevê faturamento de US$ 4,6 bilhões com vendas externas para o setor em 2007. No ano passado, o Brasil teve receita de US$ 4 bilhões com exportações de papel e celulose. De acordo com a presidente da Bracelpa, Elizabeth de Carvalhaes, o desempenho é resultado da demanda mundial aquecida. “Exportamos mais para a Europa e exportamos muito mais para a China”, disse Elizabeth em coletiva à imprensa. Em volume a exportação deve crescer 4,5% para 8 milhões de toneladas.
Os países árabes, segundo o assessor para área internacional da Bracelpa, Ludwig Moldan, ainda representam pouco como destino das exportações do setor. O Brasil exporta para o mercado árabe principalmente papel, já que os árabes não têm muitas fábricas do produto e, portanto, segundo Moldan, não são grandes consumidores da celulose. Nas exportações de papel de janeiro a outubro deste ano, que ficaram em US$ 1,4 bilhão, a África, região onde estão alguns países árabes, respondeu por 6% do total. A Ásia e Oceania – algumas nações árabes ficam no continente asiático – ficaram com 7% deste total.
Já nas vendas externas de celulose brasileira, de janeiro a outubro, a África não aparece como destino. Mas a Ásia, segundo a Bracelpa, consumiu 23% de um total de US$ 2,5 bilhões. Neste percentual, no entanto, está inclusa a China, grande importadora do segmento. O maior comprador internacional de celulose do Brasil, nos dez primeiros meses deste ano, foi a Europa, com 54%, seguida da Ásia, e o maior mercado externo do papel foi América Latina, com 56%, seguida da América do Norte, com 13%.
Segundo Elizabeth, a indústria brasileira conseguiu atender ao aumento da demanda mundial, que veio principalmente da China, em função dos investimentos que fez nos últimos anos. O setor investiu, entre 2003 e 2007, segundo dados divulgados pela Bracelpa, US$ 6,5 bilhões. “Os investimentos feitos nos permitiram pular no barco do aquecimento da China”, disse a presidente da Bracelpa. Elizabeth afirma que o mercado externo continuará aquecido pelo menos nos próximos anos. A indústria de papel e celulose deverá investir no ano que vem e em 2009 US$ 2 bilhões e mais US$ 5,9 bilhões de 2010 a 2012.
O setor vai trabalhar pela liderança do Brasil no mercado de celulose. “O Brasil vai se colocar como um dos mais importantes pólos de exportação de celulose”, diz Elizabeth. Atualmente o país é o sexto maior produtor de celulose do mundo, atrás dos EUA, Canadá, China, Finlândia e Suécia. A meta é ultrapassar a Suécia em 2008, passar a Finlândia e se aproximar da China em 2009. O Brasil deve produzir até o final do ano 11,8 milhões de toneladas de celulose e 8,9 milhões de toneladas de papel. Em 2008, a produção de celulose deve passar para 12,8 milhões de toneladas e a de papel para 9,2 milhões de toneladas.
A entidade também quer liderar, a partir do ano que vem, as discussões internacionais do segmento, segundo Elizabeth. “Queremos assumir a liderança nos fóruns do setor privado e trazer isso para o Brasil”, diz. O Brasil tem 220 empresas do segmento e 1,4 milhão de hectares com florestas certificadas ambientalmente. A área com florestas certificadas cresce entre 15% e 20% ao ano no país, segundo Armando Santiago, vice-presidente florestal da International Paper, empresa do setor. A International Paper é uma das gigantes mundiais do setor de celulose e papel. De acordo com Santiago, o Brasil ocupa a nono lugar em florestas certificadas no mundo e o primeiro na América Latina.

