São Paulo – A Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos (Abef) divulgou hoje (27) que recebeu comunicado do embaixador brasileiro em Riad, Sérgio Luiz Canaes, informando que não há risco de interrupção das exportações de frango do Brasil à Arábia Saudita.
Essa possibilidade foi levantada no domingo quando o jornal Al Yaum, da província de Dammam, publicou que produtores locais pediram ao governo saudita retaliação aos exportadores brasileiros por suposta prática de dumping.
De acordo com nota da Abef, o embaixador afirmou que o jornal é de pouca expressão e a notícia provavelmente foi induzida “por algum produtor insatisfeito” com a diminuição das tarifas de importação de frango de 20% para 5%. A Arábia Saudita fez a redução tarifária para se adequar às regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).
A associação acrescentou que Canaes informou que os importadores sauditas estão satisfeitos com os produtos brasileiros, que têm grande aceitação entre os consumidores locais. “O retorno que tivemos de Canaes mostra que as autoridades, importadores e consumidores sauditas confiam na qualidade do frango brasileiro e têm o nosso produto como um importante elemento da segurança alimentar do país”, disse o presidente da Abef, Francisco Turra, de acordo com a nota da entidade.
Ontem (26) o diretor-executivo da Abef, Ricardo Santin, já havia relatado à ANBA as respostas que a entidade obteve do embaixador. Segundo ele, “o Brasil vende para 150 países e nunca foi jogado para fora”. No caso da Arábia Saudita, que é o maior mercado individual do frango brasileiro, o país não teria como abastecer sua demanda interna caso parasse de importar do Brasil.
O próprio Canaes conversou sobre o tema com a ANBA na segunda-feira e ontem e informou que a embaixada não recebeu qualquer notificação do governo saudita sobre eventuais embargos. Ele acrescentou que as reclamações dos produtores locais são recorrentes, mas o governo saudita nunca colocou entraves às importações de frango brasileiro por esse motivo.
Segundo a nota da Abef, Canais disse também que o governo saudita pretende organizar missão técnica ao Brasil com o objetivo de regularizar o número de empresas credenciadas a exportar ao mercado do país árabe. À ANBA o embaixador afirmou que, por esse motivo, tem mantido contato constante com o Ministério da Agricultura local e a possibilidade de algum embargo ou ação antidumping jamais foi mencionada.

