Marina Sarruf
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São Paulo – As exportações brasileiras de frutas frescas e secas para os países árabes somaram US$ 14,76 milhões no ano passado, o que representou um aumento de 69,3% em relação a 2006, quando as vendas totalizaram US$ 8,72 milhões. Segundo o presidente do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf), Moacyr Saraiva Fernandes, os países árabes fazem parte dos novos mercados que a entidade está trabalhando. “Os países da região do Golfo, principalmente, são os que eu considero mais importantes”, afirmou.
Para ampliar as vendas na região e promover as frutas brasileiras, o Ibraf vai participar da Gulfood, principal feira do ramo de alimentos e bebidas do Oriente Médio, que vai ocorrer em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, entre os dias 24 e 27 de fevereiro. As empresas e associações brasileiras que vão participar do evento serão levadas com o apoio da Câmara de Comércio Árabe Brasileira. “Estamos com estratégias bem direcionadas para o mercado árabe”, disse Fernandes.
Segundo ele, além da feira o Ibraf planeja promover as frutas e sucos brasileiros em redes de supermercados dos países árabes. “Queremos trabalhar junto com o consumidor final. A idéia é fazer degustações nas lojas”, disse Fernandes. O Ibraf já realizou esse tipo de promoção em parceria com a rede Carrefour na Europa e a idéia é fazer o mesmo com a rede francesa nos países árabes. As exportações de sucos de frutas para o mercado árabe somaram US$ 9,7 milhões, uma queda de 24,7% em relação a 2006.
Os principais países árabes importadores de frutas e sucos brasileiros são Arábia Saudita, Emirados Árabes, Omã, Kuwait e Iêmen. No entanto, segundo Fernandes, a maioria das exportações é feita pela Holanda, que é a principal compradora da União Européia e reexporta também para o Oriente Médio. “Quando exportamos direto para o país temos maior contato com os compradores finais e podemos trabalhar melhor o mercado, pois ficamos sabendo de suas preferências”, disse o presidente do Ibraf.
De acordo com Fernandes, existem três bons fatores que devem contribuir para o aumento das vendas para o mercado árabe. Primeiro é o clima, que é quente e seco, o que cresce a procura por sucos de frutas; segundo, a religião islâmica, que não permite o consumo de bebidas alcoólicas e o terceiro fator é o alto poder aquisitivo dos países do Golfo Árabe. “Por esses motivos temos nos países árabes uma atenção tríplice para buscar novas oportunidades”, afirmou.
Além do mercado árabe, as exportações de frutas frescas e processadas em geral também registraram aumento no ano passado. As vendas somaram US$ 3,3 bilhões, o que representou um crescimento de 45% em relação a 2006, quando as exportações totalizaram US$ 2,3 bilhões.
Apenas de frutas frescas foram embarcadas 918 mil toneladas no ano passado, 14% a mais que no ano anterior. As exportações renderam US$ 642 milhões, um aumento de 34% em comparação a 2006, quando as vendas somaram US$ 477 milhões.
As principais frutas frescas responsáveis pelo aumento das exportações foram uva, melão, maçã, limão e abacaxi. As frutas processadas também fecharam o ano com saldo positivo, com exportações de US$ 2,7 bilhões, um aumento de 48% comparado com o ano anterior. O suco de laranja continua sendo o grande destaque, pois representa cerca de 82% das exportações de frutas processadas e obteve um aumento de 53% comparado com o ano anterior.
Outro destaque foi a venda de castanha-de-caju, que teve um crescimento de 20% na sua receita representando US$ 225 milhões. Ela também foi responsável por cerca de 50% do total de frutas exportadas para os países árabes, somando US$ 7,68 milhões.

