Alexandre Rocha
São Paulo – Apesar da valorização do real frente ao dólar, que vem preocupando os empresários do Brasil, as exportações brasileiras de máquinas e equipamentos estão crescendo de maneira acentuada. Segundo dados divulgados hoje (02) pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), os embarques renderam US$ 4,1 bilhões no primeiro semestre, contra US$ 2,95 bilhões no mesmo período do ano passado, um crescimento de 39%.
Ao mesmo tempo, o faturamento total do setor, que inclui as exportações e as vendas no mercado interno, chegou a R$ 26,7 bilhões, ante R$ 20,6 bilhões nos primeiros seis meses de 2004, um crescimento de 29,5%. Já as importações de bens de capital aumentaram em 29%, passando de US$ 3,12 bilhões para pouco mais de US$ 4 bilhões.
No primeiro semestre a balança comercial do setor foi levemente superavitária para o Brasil, o que é um fato raro de ocorrer, uma vez que, geralmente, ela é deficitária. "É um fato inédito", disse o presidente da Abimaq, Newton de Mello.
Ele próprio reconheceu que até o momento os receios do empresariado sobre a valorização do real ainda não se refletiram nos números. "Os números mostram que apesar do dólar em baixas as exportações não diminuíram, nem as importações aumentaram demais", declarou.
Desde que a moeda brasileira começou a se valorizar no segundo semestre de 2004, os empresários dos setores exportadores vêm reclamando da possibilidade disso afetar as exportações, por causa do aumento do preço dos produtos brasileiros no exterior, e estimular as importações, com as mercadorias estrangeiras mais baratas.
Este impacto, embora tenha sido observado em alguns setores, até o momento não foi generalizado. Prova disso, é que as exportações totais do país em julho renderam mais de US$ 11 bilhões e o saldo da balança comercial foi favorável ao Brasil em mais de US$ 5 bilhões. Ambos os números são recordes mensais históricos.
Mello, no entanto, acredita que o setor ainda poderá ser afetado, citando como exemplo o segmento de máquinas agrícolas, que teve um desempenho ruim no período. Mas além do dólar, a indústria de máquinas agrícolas foi afetada também pela quebra de safra causada pela estiagem que atingiu grandes regiões produtoras do país, como o Rio Grande do Sul.
Inércia
Para ele, o bom desempenho das exportações é uma "inércia" resultante de contratos de longo prazo e do empenho dos empresários na manutenção de mercados duramente conquistados. "A máquina industrial não um bem de prateleira, não é uma lata de sardinhas. Ele precisa de assistência técnica, de um canal de distribuição", disse. Isso quer dizer que o empresário pode até sacrificar parte do seu lucro para garantir a manutenção do mercado.
O presidente da Agência de Promoção de Exportações do Brasil (Apex), Juan Quirós, que hoje renovou acordo com a Abimaq, destacou, no entanto, que as ações de promoção comercial desenvolvidas em conjunto pelo setor privado e pelo governo têm ajudado no aumento e manutenção das exportações.
Ele convocou os empresários do setor de máquinas participar dos centros de distribuição que a Apex está montando no exterior. Das 90 empresas inscritas no primeiro deles, localizado em Miami (EUA), nenhuma é do setor. "Onde quer que nós vamos, o Brasil é considerado parceiro. Temos um bom custo-benefício, com produtos com tecnologia agregada e preços competitivos", disse.
Os cinco principais mercados do setor no período foram Estados Unidos, Argentina, México, Alemanha e Reino Unido.
Outra preocupação do presidente da Abimaq é com o mercado interno. Ele não acredita em um aquecimento até o final do ano, aliás fala em retração. Com isso, embora estime que as exportações devam crescer algo em torno de 40% no ano como um todo, prevê que o faturamento total do setor vai ficar estável em relação ao ano passado. Por isso ele quer do governo a redução da taxa básica de juros.

