São Paulo – As exportações de trigo da safra que está sendo colhida atualmente no Brasil devem ser bem menores do que as da colheita anterior. O analista de mercado de Trigo da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), Paulo Magno Rabelo, acredita que as exportações ficarão apenas em 1,2 milhão de toneladas. No período de agosto do ano passado até julho deste ano, que corresponde à comercialização da safra colhida em 2010, as vendas externas alcançaram ao redor de 2,5 milhões de toneladas. A queda "pode ser um pouco mais, um pouco menos", explica o analista.
A queda deve repercutir na balança comercial do Brasil com o mundo árabe. De agosto do ano passado até julho deste ano, o País exportou para o mercado árabe 1,74 milhão de toneladas de trigo, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Ou seja, a região recebeu 68% de todo o trigo que a indústria brasileira exportou no período.
A safra atual está em plena colheita e, segundo a Conab, deve ter queda de 12,8% sobre a anterior. Essa é uma das principais causas para a redução esperada nas exportações. Também devem influenciar na queda a oferta mundial, já que Rússia e Ucrânia, grandes produtores, não tiveram problemas de safra neste ano. No ano passado, os dois países enfrentaram seca, o que fez com que parassem de exportar, abrindo espaço para outros produtores, como o Brasil.
A produção nacional de trigo deve cair de 5,8 milhões de toneladas na colheita passada para 5,1 milhões na atual. De acordo com Rabelo, pesou nisso a seca ocorrida no início do plantio no estado do Paraná, as dificuldades de comercialização dos produtores junto ao mercado interno, geadas na floração da cultura e chuva excessiva na colheita. Somado a isso, por dois anos a produção dos países do Mercosul é superior à demanda. Em 2010 foram colhidas 23 milhões de toneladas para uma demanda de 18 milhões. Neste ano, a produção deve ser de 21 milhões de toneladas para um consumo também de 18 milhões.
O Paraná e o Rio Grande do Sul, que são os dois maiores produtores do cereal, já colheram ao redor de 80% e 30% do trigo plantado, respectivamente. Os gaúchos, aliás, neste ano devem passar o Paraná, que é o principal produtor, em volume de trigo colhido, de acordo com Rabelo. O estado foi um dos poucos que teve aumento na área plantada. Diferente do Rio Grande do Sul, o Paraná tem clima propício para plantio do milho safrinha e acabou optando pela cultura, em vez do trigo, em função das boas perspectivas de mercado.
O Rio Grande do Sul está incentivando o plantio do tipo de trigo chamado “hard” ou “pão”, usado na panificação e de melhor qualidade que o “soft”. As exportações deste tipo de trigo, aliás, devem continuar avançando na safra atual, de acordo com Rabelo, apesar da queda geral das vendas externas. E os gaúchos, acredita o analista da Conab, deve continuar avançando na produção do trigo “hard”. “É um bom negócio plantar para exportação no Rio Grande do Sul”, afirma. Há demanda para por esse trigo no mercado externo, segundo Rabelo. Os principais produtores são EUA, Canadá, Argentina e Austrália.

