Marina Sarruf
São Paulo – As exportações brasileiras do agronegócio ao mercado árabe somaram US$ 316,69 milhões em maio, o que representou um aumento de 14,84% em relação ao mesmo mês do ano passado, segundo dados do Ministério da Agricultura. "O aumento das exportações de açúcar e a retomada das exportações de carne bovina fizeram o agronegócio se firmar novamente", afirmou o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Antonio Sarkis Jr.
Alguns estados brasileiros registraram focos de febre aftosa no ano passado, o que inibiu as compras, que estão sendo retomadas. De acordo com Sarkis, as exportações do setor para o mercado árabe têm mantido uma média superior às vendas externas em geral do agronegócio brasileiro, que no mês de maio teve um aumento de 3,7% sobre o mesmo mês do ano passado. As exportações do setor do Brasil somaram US$ 3,8 bilhões no mês.
Os cinco principais países árabes compradores de produtos da pecuária e agricultura brasileira no mês passado foram Egito, com importações de US$ 79,16 milhões, 66% a mais que no mesmo período de 2005; Arábia Saudita, com US$ 72,24 milhões e aumento de 28,6%; Argélia, com US$ 51,39 milhões e crescimento de 88%; Iêmen, com US$ 26,76 milhões e um aumento de 163,4% e Emirados Árabes Unidos, com US$ 24,69 milhões, queda de 24% em relação a maio do ano passado.
Os produtos mais embarcados para o mercado árabe foram carne bovina e de frango, açúcar, leite e derivados, farelo de soja, animais vivos, fumo e tabaco, suco de laranja e produtos florestais, como madeira e papel. Egito, Arábia Saudita e Argélia juntos importaram mais de US$ 112 milhões em açúcar, US$ 105 milhões em carnes; US$ 1,4 milhão em leite e derivados.
Já os mercados que mais cresceram como destinos na região foram Djibuti, que comprou US$ 252,7 mil, um aumento de 496,6% em relação a maio do ano passado; Ilhas Comores, com importações de US$178,2 mil, 268,7% a mais, e o Iraque, com US$ 1,08 milhão, 207% a mais.
De acordo com o secretário-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby, o aumento das exportações brasileiras do agronegócio aos países árabes também podem ter ocorrido em razão da alta do petróleo, o que faz aumentar a renda e o consumo. "Muitas vezes o governo subsidia as importações, principalmente de alimentos", disse.
Outra razão, segundo Alaby, é a recomposição de estoque para o Ramadã, período religioso muçulmano que é finalizado com festas. Os estoques costumam ser feitos cinco meses antes do período religioso, que neste ano será em setembro. Outro motivo é as férias de julho, quando aumenta o número de turistas em alguns países árabes, como Egito e Emirados Árabes.
Janeiro a maio
No acumulado do ano, as exportações brasileiras do agronegócio para os países árabes somaram US$ 1,27 bilhão, o que representou um aumento de 7% em relação ao período de janeiro a maio do ano passado, quando os embarques somaram US$ 1,89 bilhão.
As exportações totais do agronegócio nos primeiros cinco meses do ano somaram US$ 17,1 bilhões, o que representou um aumento de 7% em relação ao mesmo período do ano passado. O valor foi um recorde para períodos de janeiro a maio.

