Alexandre Rocha
São Paulo – As exportações do agronegócio brasileiro para os países árabes cresceram mais do que a média nacional no primeiro semestre deste ano. Enquanto os embarques totais do setor cresceram 10,2%, as vendas para o Oriente Médio e Norte da África tiveram uma expansão de mais de 15%, passando de US$ 1,285 bilhão no período de janeiro a junho de 2004, para US$ 1,48 bilhão nos primeiros seis meses de 2005.
"Um dos fatores para este desempenho é que no mundo árabe não há protecionismo agrícola", disse o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB), Antonio Sarkis Jr. "Esse é um aspecto fundamental e que as empresas têm percebido", acrescentou.
Na avaliação do vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Gilman Viana Rodrigues, houve um aumento da capacidade de compra na região, o que resultou na busca por produtos de melhor qualidade e, conseqüentemente, de preços mais altos. Vários países árabes são grandes exportadores de petróleo e o aumento do preço da commodity resultou em um forte aquecimento de suas economias.
Produtos
Os principais produtos exportados foram carne de frango, açúcar, carne bovina, complexo soja e café. "No caso da carne bovina, apesar do aumento que já ocorreu, o potencial de crescimento ainda é muito grande", disse Sarkis. "O grosso das exportações para a região ainda está concentrado em dois ou três países. Agora os frigoríficos têm que se preparar para atender a todos", acrescentou.
Segundo previsão da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), no prazo de dois a três anos o mundo árabe deverá ultrapassar a União Européia como principal bloco comprador da carne bovina brasileira. O Egito, a Argélia e a Arábia Saudita já figuram na lista dos principais compradores do produto. "Nos próximos anos, as exportações de carne para os países árabes vão aumentar acima das expectativas", declarou Sarkis.
"O Brasil tem se beneficiado também dos problemas sanitários ocorridos em outros países fornecedores, como foi o caso da gripe do frango na Ásia e do mal da vaca louca nos Estados Unidos", disse Rodrigues. "Isso abriu portas enormes para os exportadores brasileiros, que tiveram competência para prospectar os mercados e atender os clientes", acrescentou.
Destinos
Os maiores compradores do Brasil no período foram a Arábia Saudita, com US$ 340,7 milhões em importações; o Egito, com US$ 227 milhões; os Emirados Árabes Unidos, com US$ 185,8 milhões; a Argélia, com US$ 158,8 milhões; e o Marrocos, com US$ 147,6 milhões.
Com exceção da Argélia, o "complexo carnes", que inclui carne de frango e bovina, liderou as exportações para estes países no primeiro semestre. No caso da Argélia, a carne bovina ficou em segundo lugar, atrás do açúcar.

