Débora Rubin e Geovana Pagel
São Paulo – As vendas externas correspondem a 40% do faturamento do setor de máquinas e equipamentos, que deve fechar o ano em R$ 50 bilhões. Segundo colocado no ranking dos principais exportadores industriais de manufaturados do país, o setor deve exportar US$ 9,2 bilhões até o final de 2006. Um crescimento de cerca de 7% em relação aos US$ 8,6 bilhões registrados em 2005. Os principais mercados de destino das máquinas e equipamentos nacionais são Estados Unidos, Argentina, Alemanha, México e Reino Unido.
Mesmo com o resultado positivo, a balança comercial do setor provavelmente será deficitária. A projeção da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) é de que as importações fiquem entre US$ 10,2 bilhões e US$ 11 bilhões. Reflexo direto da desvalorização do dólar.
Nos últimos dois anos o setor havia conseguido superávit em sua balança comercial. Em 2004 as exportações de máquinas e equipamentos chegaram a US$ 6,84 bilhões, o que representou um crescimento de 38,5% sobre 2003. Já as importações atingiram US$ 6,836 bilhões, com aumento de 18% em relação a 2003. Este resultado representou o melhor desempenho do setor desde 1995.
Em 2005, o setor exportou US$ 8,6 bilhões, desempenho 25% superior a 2004. Já as importações aumentaram em 24,2% e chegaram a US$ 8,5 bilhões e garantiram assim o equilíbrio da balança comercial.
De acordo com o presidente da Abimaq, Newton de Mello, o crescimento de 7% das exportações de máquinas e equipamentos, embora tímido se comparado aos 25% registrados em 2005, em relação a 2004, deve-se à consolidada presença dos fabricantes no mercado internacional, aos incentivos dados aos exportadores e à busca pela diversificação de países incluídos na lista de compradores dos produtos brasileiros.
Os países árabes, por exemplo, representaram 6,2% do total exportado pelo setor de janeiro a agosto de 2006. Foram US$ 113 milhões destinados para o mercado árabe – resultado 14% superior ao mesmo período de 2005, quando os países do Oriente Médio de Norte da África importaram US$ 99,747 milhões. Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito, Marrocos, Argélia e Tunísia estão entre os principais mercados de destino na região.
De acordo com o presidente da Abimaq, um dos segmentos que o Brasil tem investido para buscar clientes no mundo árabe é o de máquinas agrícolas. "Desde 2002, onze empresas diferentes já participaram da Saudi Agriculture, uma exposição em Riad (Arábia Saudita) e todas conseguiram firmar parcerias com distribuidores locais e abrir mercado para as exportações, com boas expectativas de negócios", explica Mello. "Também tivemos uma participação de empresas brasileiras numa exposição nos Emirados Árabes no segmento de plástico, em 2004, e mais uma vez com muito sucesso", destaca.
Newton de Mello acredita que os negócios com os países da Liga Árabe têm grandes chances de continuar crescendo. "Os países árabes podem representar um mercado bem mais importante se dermos continuidade ao trabalho que já vem sendo feito pelas empresas brasileiras", aposta.
Parceria entre governo e setor privado
Governo e setor privado têm trabalhado juntos para garantir o aumento das exportações brasileiras do setor. Em maio de 2006, foi assinado um novo convênio entre a Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) e a Abimaq. O projeto, oficializado durante a Feira Internacional da Mecânica, em São Paulo, prevê investimentos de R$ 7,8 milhões e participação de 101 empresas.
O convênio beneficiará 18 câmaras setoriais da Abimaq, dentre as 27 existentes na entidade. Pela primeira vez na história da parceria entre as duas entidades, iniciada em 1999, um número tão expressivo de setores é incluído em um único projeto. Participam do convênio fabricantes de diversos tipos de bens de capital, como máquinas para o setor gráfico, para os setores têxtil e agrícola, fornos e estufas industriais, equipamentos navais e de offshore, entre outros.
A meta é que as empresas participantes obtenham um aumento de 10% nas suas exportações, que devem passar de US$ 139,8 milhões para US$ 153,7 milhões. Os mercados-alvo escolhidos para a realização de ações de promoção são Colômbia, Equador, México, Estados Unidos, Itália e Argentina.
Entre as ações previstas no projeto estão a participação das empresas em sete importantes feiras internacionais e a realização de sete projetos compradores, que aproximam os fabricantes de importadores, especialmente convidados para virem ao Brasil. Estão previstos ainda sete projetos Imagem, iniciativa que viabiliza a vinda de jornalistas estrangeiros para acompanhar as rodadas de negociação e conhecer o setor, com o objetivo de contribuir para divulgar essa indústria como player no comércio internacional.
As duas entidades já realizaram, juntas, 14 projetos que beneficiaram 1.681 empresas. O valor total investido ao longo desses seis anos foi de R$ 35,5 milhões. Já ocorreram 306 participações de empresas do setor de máquinas e equipamentos em 40 feiras internacionais no exterior que resultaram na geração de US$ 11,5 milhões em negócios em 2002; US$ 12,6 milhões em 2003; US$ 26,11 milhões em 2004; e US$ 37,83 milhões de julho de 2005 a abril de 2006.
Também foram realizados nove projetos compradores – rodadas de negócios nas feiras internacionais do setor realizadas no Brasil, como a Mecânica – com a participação de 110 empresas estrangeiras e 572 vendedores brasileiros. O valor dos negócios feitos nessas rodadas já chegou a US$ 30,5 milhões.

