Alexandre Rocha
São Paulo – As exportações brasileiras para os países árabes renderam quase US$ 2,2 bilhões no primeiro semestre deste ano, com um aumento de 18% em comparação com o mesmo período do ano passado. O número superou as expectativas iniciais da Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB), que previa um crescimento de 13%.
Na avaliação do presidente da CCAB, Antonio Sarkis Jr., o desempenho tem relação direta com a difusão cada vez maior de uma "cultura exportadora" entre as empresas. "Mesmo com a taxa de câmbio desfavorável, as empresas estão mantendo seus mercados que foram duramente conquistados", declarou ele. Na opinião de Sarkis, a estratégia de promoção comercial da Câmara, com a intensificação da participação brasileira em feiras na região, também contribuiu para o desempenho.
O real foi a moeda que mais se valorizou frente ao dólar nos últimos meses, o que vem causando grande preocupação dos setores exportadores com a possibilidade de perda de competitividade, já que os produtos brasileiros tornam-se mais caros no exterior. Até o momento, no entanto, as exportações vêm se mantendo em alta. Também para o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, a "cultura exportadora" é um dos fatores que têm garantido o desempenho.
Na opinião do secretário-geral da CCAB, Michel Alaby, o aumento dos preços do petróleo no mercado internacional também contribuiu para o aumento dos embarques para os árabes. "Isso fez o poder de compra na região aumentar. Além disso a economia mundial tem apresentado um crescimento contínuo", declarou.
Já as importações aumentaram em 19% nos primeiros seis meses do ano. O Brasil comprou o equivalente a US$ 2,02 bilhões dos países árabes no primeiro semestre.
Segundo melhor resultado mensal
Em junho apenas as vendas para os países árabes somaram US$ 432 milhões, o segundo melhor desempenho mensal desde janeiro de 1998 pelo menos. O valor dos embarques só foi superado pelo de junho do ano passado, que chegou a US$ 442,5 milhões.
Alaby lembrou, no entanto, que em junho de 2004 a cotação do dólar estava muito mais favorável para os exportadores. A média do câmbio na época do mês ficou em R$ 3,14 por dólar, contra os atuais R$ 2,36 por dólar. Segundo informações do Ministério do Desenvolvimento, houve também uma diminuição dos embarques de petróleo bruto da Petrobras para os Emirados Árabes Unidos, um dos principais produtos de exportação do Brasil para o país.
No mês, as importações aumentaram em 13%. O Brasil importou o equivalente a US$ 439 milhões dos países árabes em junho.
Mercados
Os principais destinos das exportações no primeiro semestre foram a Arábia Saudita, que comprou o equivalente a quase US$ 470 milhões, com um crescimento de 32,4% em comparação com o mesmo período do ano passado; o Egito, com importações de US$ 392,1 milhões e um aumento de 25,3%; os Emirados, com US$ 286 milhões em compras, mas com uma queda de 18,9%; o Marrocos, que importou o equivalente a US$ 222 milhões, ou 18,2% a mais do que no primeiro semestre de 2004; e a Argélia, cujas compras somaram US$ 212 milhões, valor 54,6% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.
Os países que mais cresceram como destinos dos produtos brasileiros foram a Líbia, que importou o equivalente a US$ 75 milhões no semestre, ou 107,8% a mais do que no mesmo período de 2004; o Sudão, com compras de US$ 8,4 milhões, um acréscimo de 87,8%; o Iêmen, para onde os embarques aumentaram em 85,1% e somaram US$ 88 milhões; a Jordânia, que importou US$ 43,7 milhões, ou 80,2% a mais; e as Ilhas Comores, com compras de US$ 553 mil, desempenho 66,9% maior do que o registrado no primeiro semestre do ano passado.
Perspectivas de crescimento
Para o segundo semestre, Sarkis e Alaby acreditam que a taxa de crescimento das exportações deverá ser ainda mais forte por causa do ramadã, mês sagrado para os muçulmanos, que este ano deve começar por volta do dia 04 de outubro. Embora durante este período os muçulmanos fique em jejum durante o dia, comem bastante à noite, o que leva os comerciantes a fazer estoques de gêneros alimentícios nos meses anteriores. "No segundo semestre normalmente as exportações para o mundo árabe aumentam", disse o presidente da CCAB.
Além disso, Alaby lembrou que, durante o Ramadã, os muçulmanos fazem muitas doações de alimentos para os mais pobres e, após o mês sagrado, segue-se um período de festas religiosas nas quais é costume trocar presentes, o que faz crescer a procura por bens de consumo.
Além do setor de alimentos, Sarkis acredita também num aumento nas vendas de produtos manufaturados, como autopeças, veículos, equipamentos médicos e odontológicos, calçados, material de construção, móveis, entre outros. Este e outros setores foram identificados pela CCAB como de grande potencial no mercado árabe e estão contemplados na estratégia de promoção comercial da entidade.

