São Paulo – As exportações brasileiras aos países árabes recuaram 20,3% em outubro sobre o mesmo mês do ano passado, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), compilados pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira. A receita somou US$ 1,01 bilhão no último mês contra US$ 1,2 bilhão em outubro de 2014. No acumulado dos dez primeiros meses do ano a queda é de 8,6%, com US$ 10,1 bilhões.
O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, atribui a queda ao menor preço de produtos exportados, como açúcar e minério. As vendas de açúcar para os árabes recuaram 37% em receita em outubro sobre igual mês do ano passado e as de produtos minerais, 76%. Na mesma comparação, o valor do açúcar em bruto caiu 27% no mercado internacional e o do minério recuou 44%, segundo Castro.
A perspectiva, no entanto, é de melhoria nos preços do açúcar. “Pelo menos de 25%”, afirma para a ANBA o presidente da AEB, sobre a alta que as cotações da commodity devem ter no começo do ano que vem. O Brasil responde por 50% da produção mundial de açúcar e, em função do incentivo para produção de etanol, deve ofertar menos açúcar ao mercado internacional. Tanto etanol quando açúcar são feitos de cana de açúcar e os empresários optam por produzir o que for mais lucrativo, o que ocorre com o etanol. Já os preços do minério devem se manter estáveis, nos patamares atuais, em 2016.
Castro ressalta que o Oriente Médio é um mercado potencial para o Brasil e pode comprar mais manufaturas nacionais. “É um mercado não desbravado”, afirma, ressaltando que é preciso fazer ações de promoção comercial na região para ganhar mais mercado.
Em outubro, os países árabes que mais importaram produtos brasileiros foram a Arábia Saudita, seguida por Egito, Emirados Árabes Unidos, Argélia e Marrocos. Os sauditas aumentaram as compras em 24% e os demais mercados reduziram. As categorias de produtos mais vendidas foram animais e produtos, alimentos industrializados, vegetais e produtos, além de material de defesa. Destes, os dois últimos tiveram vendas maiores.
Já as importações brasileiras de produtos árabes subiram 28,5% em outubro sobre igual mês de 2014, de US$ 857 milhões para US$ 1 bilhão no mês passado. Deste total, US$ 895 milhões foi petróleo e derivados, cujas compras cresceram 48,4% em valor. No acumulado dos dez primeiros meses do ano, as importações ainda estão em queda, de 37,2%, com US$ 5,8 bilhões.

