Alexandre Rocha
São Paulo – As exportações do Brasil para os países árabes renderam US$ 4,53 bilhões entre janeiro e setembro deste ano, um aumento de 18,7% em comparação com o mesmo período de 2005, quando os embarques somaram US$ 3,8 bilhões. Em setembro somente, as vendas à região foram de US$ 568,5 milhões, um crescimento de 12,5% em relação aos US$ 505,2 milhões do mesmo mês do ano passado. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior do governo brasileiro.
"O desempenho está dentro do esperado, continua próximo da meta de 20% que nós estimamos para o ano. Houve uma pequena desaceleração em setembro porque foi um mês com menos dias úteis, por causa principalmente do feriado do dia 07", disse o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Antonio Sarkis Jr.
Mesmo assim o resultado de setembro foi o quarto melhor do ano, atrás apenas de agosto, julho e junho, sendo que agosto e julho tiveram os melhores números da história das exportações brasileiras aos árabes.
Sarkis acredita que os negócios vão ganhar mais alguns impulsos até o final do ano com a realização, a partir do dia 26, de uma missão do setor de construção de Santa Catarina a três países do Golfo (Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Catar) e a participação de empresas brasileiras nas feiras Big5, de construção civil, e Index, de móveis, que vão ocorrer em Dubai entre o final de outubro e início de novembro.
"Estes são alguns dos setores que nós definimos como de maior potencial no mundo árabe, devido ao grande volume de recursos existentes nestes países para investimentos em infra-estrutura, hotelaria, habitação e etc.", afirmou Sarkis.
A missão catarinense ao Golfo está sendo organizada em parceria pela Câmara Árabe e a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc). A participação brasileira na Big5 e Index são resultado de um trabalho conjunto entre a Câmara e a Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex). No caso da Index a Associação Brasileira da Indústria do Mobiliário (Abimóvel) é também uma das organizadoras.
Os principais destinos dos produtos brasileiros na região entre janeiro e setembro foram a Arábia Saudita, que importou o equivalente a US$ 1,032 bilhão; o Egito (US$ 1,019 bilhão); os Emirados (US$ 668 milhões); a Argélia (US$ 330 milhões); e o Marrocos (US$ 305 milhões).
Estratégia para as importações
As importações de produtos dos países árabes, por sua vez, somaram US$ 4,075 bilhões entre janeiro e setembro de 2006, um aumento de 3,4% em comparação com o mesmo período do ano passado, o que resultou em um superávit comercial de US$ 453 milhões para o Brasil. Em setembro somente, porém, as importações ficaram em US$ 231 milhões, 47,6% a menos do que no mesmo período do ano passado.
Como o principal produto vendido pelos árabes ao Brasil é o petróleo, Sarkis acredita que o principal motivo para esta queda é a auto-suficiência na commodity atingida este ano pelo país. "Este é o motivo, pois a diminuição que ocorreu na cotação do petróleo ainda não foi suficiente para se refletir desta maneira", disse.
Para tentar ampliar as importações, a Câmara vai discutir com os embaixadores árabes no Brasil estratégias para a diversificação da pauta. De acordo com Sarkis, além do petróleo e dos fertilizantes, tradicionalmente comprados dos árabes, há potencial para negócios em outros setores, como os de produtos químicos, material elétrico, medicamentos e equipamentos hospitalares.

