Omar Nasser, da Fiep*
Curitiba – As exportações de açúcar brasileiro para os países árabes praticamente dobraram entre 2003 e 2004. Dados da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Única) revelam que de janeiro a outubro deste ano o país embarcou 5.347.217 toneladas do produto para a região, contra 2.921.043 em igual período do ano passado, o que significa uma expansão de 83%.
Com isso, a participação dos países árabes nas exportações brasileiras de açúcar passou de 28,74% para 41,94%. As receitas obtidas pelo setor com as vendas ao Oriente Médio e Norte da África tiveram um desempenho igualmente positivo. Dos US$ 481,1 milhões registrados nos primeiros dez meses do ano passado saltaram para US$ 864,4 milhões, o que significa um aumento de 79,67%.
De olho nestes números, os produtores estão otimistas com relação às perspectivas de negócios na região. O ano de 2005 deve assistir a um incremento das exportações de açúcar para o Oriente Médio. Pelo menos no que depender dos paranaenses. "Não tenho dúvida de que este relacionamento crescerá ao longo do ano que vem", afirma o presidente da Associação dos Produtores de Açúcar e Álcool do Paraná (Alcopar), Anísio Tormena.
Com uma colheita estimada para este ano de 29 milhões de toneladas, o estado é o segundo maior produtor de cana-de-açúcar do Brasil, ficando atrás apenas de São Paulo. São nove destilarias e 18 usinas produzindo 1,8 milhão de toneladas de açúcar e 1,2 bilhão de litros de álcool. Da produção total de açúcar, 80% é exportada. Do álcool, 10% é destinado ao exterior.
Logística
De acordo com Tormena, empresas do setor sucroalcooleiro do Paraná devem participar, ano que vem, de feiras em Jeddah, na Arábia Saudita, e em Damasco, na Síria. As perspectivas de ampliação dos negócios são boas, especialmente no tocante ao açúcar, uma vez que os países árabes têm no petróleo importante fonte energética, o que reduz as possibilidades de comercialização de álcool na região.
De acordo com o presidente da Alcopar, um dos fatores que favorecem o Paraná na conquista de novos mercados no Oriente Médio é a logística. A empresa privada Paranaguá Terminais Portuários S.A. (Pasa) instalou no Porto de Paranaguá o primeiro terminal especializado em açúcar a granel do Sul do país. O berço de atracação tem calado de 37 pés e a capacidade de embarque é de mil toneladas/hora.
As boas condições de acesso ao porto e a produção cada vez mais eficiente da cana-de-açúcar são outros dois fatores citados por especialistas como diferenciais importantes da produção sucroalcooleira paranaense.
*Federação das Indústrias do Estado do Paraná

