Da redação
São Paulo – As exportações brasileiras de algodão poderão crescer em mais de 130% este ano, segundo previsão da consultoria Global Invest, especializada em economia e finanças, que divulgou hoje (15) um relatório sobre o assunto.
"O Algodão nunca foi um produto de expressão no Brasil, mas essa história vem mudando há algum tempo. A cultura vem ganhando espaço a cada safra com seu sucesso no mercado internacional", diz o documento.
De acordo com os consultores, os produtores brasileiros voltaram a se interessar pelo algodão, principalmente após o aumento dos preços no mercado internacional. Segundo a pesquisa, a melhora da cotação do produto na bolsa de Nova York começou em maio de 2002, quando o preço estava em 28,96 centavos de dólar a libra, e em outubro do ano passado chegou a 77,05 centavos de dólar por libra.
Além disso, segundo o estudo, houve investimentos em tecnologias de produção que tornaram a qualidade do cultivo no Brasil superior à de muitos outros países produtores.
O relatório acrescenta que a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) teve um papel fundamental nesse ganho de qualidade ao desenvolver sementes resistentes à seca e que não necessitam de agrotóxicos. Além disso, foi criado no Brasil um tipo de algodão cujas fibras são naturalmente coloridas.
No ano passado o Brasil produziu 847,5 mil toneladas de algodão em pluma, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e exportou 180 mil toneladas. Para este ano a previsão da safra é de 1,151 milhão de toneladas e de exportações de 420 mil toneladas.
Em 2003 as receitas de exportação de algodão somaram US$ 188,5 milhões, contra 93,8 milhões em 2002. Um aumento de mais de 100% de um ano para o outro.
O crescimento na produção, segundo a Global Invest, fez o Brasil tornar-se "rapidamente" o sexto maior produtor mundial do produto. Ainda assim o país continua a ser também um grande importador. De acordo com o relatório, isso ocorre porque a maior parte da colheita brasileira é feita entre junho e julho, e as importações são feitas entre janeiro e março, quando os estoques diminuem.

