Geovana Pagel
São Paulo – As exportações brasileiras de carnes devem chegar a US$ 5,8 bilhões neste ano, um acréscimo de 42% em comparação aos US$ 4,08 bilhões registrados em 2003. A estimativa é de que os embarques tenham um aumento de cerca de 23% e fiquem em 4,2 milhões de toneladas. No ano passado foram vendidas 3,43 milhões de toneladas.
"Com o novo recorde, o Brasil manterá a liderança no mercado mundial de carne bovina, em volume, e no de frango, em quantidade e faturamento", disse Eliezer Lopes, coordenador geral de apoio à comercialização do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Segundo ele, a estimativa foi baseada nos números da balança comercial do agronegócio de janeiro a novembro de 2004.
Nos primeiros 11 meses do ano, as vendas externas de carne bovina in natura somaram US$ 1,8 bilhão, o equivalente a 849 mil toneladas. Em comparação com igual período de 2003, houve um aumento de 74,3% em valores e de 50% em volumes. Os embarques de cortes industrializados totalizaram US$ 443 milhões, com um acréscimo de 39% em relação ao mesmo período do ano passado.
Argélia e Egito estão entre os países que apresentaram maior crescimento como destino das exportações de carne bovina in natura em 2004. A Argélia, que nem constava na lista de importadora do produto brasileiro até o ano passado, hoje está entre os principais compradores.
De janeiro a novembro de 2004, a Argélia comprou 33,8 mil toneladas, que correspondem a US$ 53,6 milhões. O salto foi de 541,22% em relação ao mesmo período do ano passado, quando importou 5,5 mil toneladas, o equivalente a US$ 8,3 milhões.
O Egito continua sendo o principal país árabe importador do produto brasileiro. De janeiro a novembro, o país comprou US$ 149,6 milhões, o equivalente a 104,1 mil toneladas, registrando um aumento de 85,23% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando importou US$ 80,8 milhões, correspondentes a 68 mil toneladas.
De acordo com o diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Antonio Jorge Camardelli, esse aumento das exportações brasileiras de carne bovina para os países árabes se deve ao fato de o Brasil estar estruturado para atender às exigências sanitárias e também às exigências religiosas, com o abate halal.
"Como são mercados que demonstram muito potencial de crescimento, entre as ações da Abiec no exterior em 2005 os países árabes serão privilegiados com dois workshops, um na Argélia e outro no Egito", revelou Camardelli. "Ainda não definimos como serão desenvolvidas as ações, mas certamente elas irão ocasionar uma grande festa e um grande churrasco entre brasileiros e árabes", completou.
Qualidade, sanidade e competitividade
O coordenador geral de apoio à comercialização do MAPA explica que além da qualidade e da sanidade das carnes, da competitividade da pecuária e do marketing agressivo desenvolvido no exterior, as exportações brasileiras foram favorecidas pelos problemas sanitários ocorridos com grandes produtores mundiais de carne como Estados Unidos e Canadá.
"Os Estados Unidos, por exemplo, estão praticamente fora do mercado mundial devido aos casos de vaca louca", afirmou.
Neste ano, o Brasil ampliou as vendas para a Argélia, Egito, Rússia, Chile, Holanda, Itália, Alemanha, Irã e Hong Kong. Segundo Lopes, isso ocorreu porque a Austrália e a Nova Zelândia tiveram que suprir as exportações dos Estados Unidos para o Japão e a Coréia do Sul. "Embora a nossa carne bovina não entre nesses dois países asiáticos, o deslocamento desses fornecedores nos abriu outros mercados", disse.
Principalmente em função da gripe aviária na Ásia e em partes dos EUA, as exportações de carne de frango também cresceram significativamente. Foram US$ 2,2 bilhões até novembro, 44% mais que em igual período de 2003. Os embarques cresceram 23% para 2,1 milhões de toneladas.
A Arábia Saudita é o segundo mercado de destino das exportações de frango, atrás apenas do Japão. De janeiro a novembro de 2004, os sauditas importaram US$ 280,5 milhões, o equivalente a 294,6 toneladas, um aumento de 28,51% em relação ao mesmo período de 2003, quando compraram US$ 218,2 milhões, que correspondem a 259,3 mil toneladas.
O desempenho das exportações brasileiras de suínos também foi bastante positivo. De janeiro a novembro, as vendas de suínos in natura alcançaram US$ 665 milhões, o equivalente a 429 mil toneladas. Em comparação com igual período de 2003, isso representou um aumento de 34,7% em valores e uma queda de 0,96% em quantidade.
O embargo da Rússia à carne suína brasileira não causou grandes prejuízos, garante o coordenador. "Primeiro, porque aumentamos as exportações para a África do Sul, Albânia e Bulgária, entre outros. Além disso, a Rússia comprou do Brasil mais do que pretendia, por falta de fornecedores", explicou.
No mês passado, os russos suspenderam parcialmente a restrição ao suíno brasileiro, liberando as importações do estado de Santa Catarina.

