Isaura Daniel
São Paulo – As exportações brasileiras para os países árabes aumentaram 9,8% em fevereiro. A receita com as vendas ficou em US$ 304,7 milhões, US$ 27 milhões a mais do que no mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, o crescimento está em 16%. Os brasileiros faturaram US$ 622,5 milhões nos dois primeiros meses de 2005 com os embarques para os 22 países da Liga Árabe contra os US$ 533 milhões de 2004.
Os números são considerados satisfatórios pelos dirigentes da Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB). "Apesar da alta volatilidade cambial dos últimos dois meses e do fato de que janeiro, fevereiro e março não são meses de crescimento expressivo nas exportações, a demanda continua crescente nos países árabes", diz o secretário-geral da CCAB, Michel Alaby.
O secretário-geral afirma que entre os fatores que seguram o bom desempenho nas vendas para a Liga estão os preços do petróleo, que garantem renda alta à região, as vendas indiretas de produtos brasileiros ao Iraque via Síria, Jordânia, Emirados Árabes Unidos e Kuwait, além da relação estabelecida pelas empresas nacionais com clientes da região. "Os empresários brasileiros têm hoje nos países árabes um parceiro menos desconhecido", diz Alaby.
O secretário afirma que a visita do presidente Lula no final de 2003, as viagens de delegações e a participação em feiras aproximou os empresários das duas regiões. Só nestes dois primeiros meses do ano, o Brasil já recebeu uma delegação comercial de árabes da Jordânia, Iraque, Palestina, Líbano e Iêmen, promoveu uma missão empresarial oficial ao Kuwait e Arábia Saudita, além de uma viagem diplomática, do ministro de Relações Exteriores Celso Amorim, a dez países árabes.
O crescimento das vendas brasileiras para os países árabes nos dois primeiros meses do ano está alguns pontos percentuais acima das previsões feitas pela CCAB para o ano, entre 12% e 13%. Entre os países que mais ajudaram a manter as exportações nacionais para os árabes em alta está a Arábia Saudita, que além de ter comprado o maior volume em produtos brasileiros, US$ 59,5 milhões, aumentou em 62% as suas importações.
Os Emirados Árabes Unidos também fizeram aquisições 5,6% maiores, US$ 32,1 milhões, o Marrocos comprou 4,5% mais, US$ 30,6 milhões, e a Argélia aumentou suas importações do Brasil em 18,5%, com US$ 30,2 milhões. Os quatro países figuram entre os cinco maiores importadores árabes do Brasil em fevereiro em receita. O Egito também participa da lista, mas as vendas brasileiras para o país caíram 35,8% no período.
A Líbia aumentou seus gastos com produtos brasileiros em 401% em fevereiro deste ano em relação ao mesmo mês de 2004, mas com um volume menor: US$ 11 milhões. Também as compras do Iêmen cresceram 177%, para US$ 18 milhões, e as da Mauritânia aumentaram 110% e ficaram em US$ 470 mil. Os três países foram os que obtiveram percentual de crescimento maior no mês de fevereiro, apesar de não figurarem entre os maiores importadores do Brasil na região.
As vendas dos países árabes para o Brasil, no entanto, caíram 4,6% nos dois primeiros meses do ano e ficaram em US$ 501,9 milhões. O país que mais vendeu ao Brasil no período foi a Argélia, com US$ 199,3 milhões, seguida da Arábia Saudita, com US$ 167,5 milhões. As duas nações exportam petróleo para o Brasil.

