Alexandre Rocha
São Paulo – Apesar da forte valorização do real frente ao dólar, o que torna os produtos brasileiros mais caros no exterior, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, acredita que o crescimento das exportações brasileiras em 2005 será de pelo menos o dobro da média mundial. "Pela meta que nós determinamos para o ano, o crescimento será muito próximo do dobro da média mundial", disse Furlan na sexta-feira (01) em São Paulo.
A previsão do governo brasileiro é de que as exportações cheguem a US$ 112 bilhões no ano, o que, se confirmado, vai representar um aumento de 16% em relação ao valor do ano passado, que foi de US$ 96,4 bilhões. "Instituições internacionais, como a Unctad, prevêem que o crescimento das exportações mundiais vai ficar abaixo de 10%", disse Furlan. Ele acredita que, no médio prazo, a fatia do país no comércio internacional vai chegar a 1,2%. Hoje ela está em 1,1%.
Não é de hoje que o comércio exterior brasileiro cresce acima da média mundial. Isto já vem ocorrendo há pelo menos dois anos e, durante o primeiro semestre deste ano, o desempenho se repetiu. Segundo dados da Organização Mundial do Comércio (OMC) citados pelo jornal O Estado de São Paulo, as exportações mundiais aumentaram em 14% no período de janeiro a abril, enquanto que o valor dos embarques brasileiros cresceu em 25,7% no mesmo período.
"Só dois países crescem mais do que o Brasil: a Rússia e a China. E eu acredito que em 2005 haverá pouca mudança nesse quadro", disse o secretário de Comércio Exterior, Ivan Ramalho.
Recorde mensal
A confiança do governo brasileiro foi reforçada pelos números da balança comercial de junho. No mês, os embarques renderam US$ 10,2 bilhões, um aumento de 9,4% em comparação com o mesmo mês do ano passado. Pela primeira vez na história as exportações mensais ultrapassaram o patamar de US$ 10 bilhões.
"Os números do comércio exterior continuam bastante dinâmicos, apesar da taxa de câmbio. Acredito que, no segundo semestre, a média mensal ficará em US$ 10 bilhões", declarou o ministro. O real foi a moeda que mais se valorizou frente ao dólar nos últimos tempos, acumulando alta de 12% no ano. Na sexta-feira, a moeda norte-americana estava cotada a R$ 2,357.
Já as importações no mês somaram US$ 6,176 bilhões, com um aumento de 11,7% sobre junho do ano passado. O saldo comercial favorável ao Brasil ficou em US$ 4,031 bilhões no mês, também um recorde histórico.
No acumulado do primeiro semestre, as exportações renderam US$ 53,6 bilhões, um crescimento de 23,9% em comparação com o mesmo período de 2004. As compras externas, por sua vez, somaram US$ 34 bilhões, com um amento de 20,2% em relação ao primeiro semestre do ano passado.
Com a valorização do real, Furlan acredita que no segundo semestre as importações vão crescer num ritmo mais forte do que as exportações, que devem aumentar, de acordo com ele, em 10% ao mês em média. Mas isso, em sua avaliação, não vai impedir o país de registrar novamente um superávit comercial considerável, na casa dos US$ 35 bilhões.
"Hoje muitos setores estão preparados para exportar, investiram pesadamente e foi criada uma cultura de exportação. De modo que as exportações vão continuar a crescer", declarou o ministro.
De qualquer forma, a cotação do dólar preocupa, pois ela já está prejudicando as exportações de setores como o de calçados e confecções, que são grandes geradores de empregos. Embora o governo descarte qualquer tipo de intervenção no câmbio, Furlan disse que deverão ser tomadas medidas de simplificação e desoneração das exportações.
No que diz respeito aos produtos, em junho houve um crescimento de 14,1% nas vendas de manufaturados, para US$ 5,5 bilhões, e de 14,2% nas de semimanufaturados, para US$ 1,451 bilhão. Já as exportações de produtos básicos diminuíram 13,3%. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, esta redução foi ocasionada pela diminuição dos embarques de petróleo, de soja em grãos e farelo de soja. No caso da soja, o problema foi agravado pela quebra de safra ocorrida no sul do país, devida à seca, e pela queda da cotação do produto no mercado internacional.
Árabes
Com relação aos destinos, os novos mercados continuaram a desempenhar um papel importante. No mês de junho, os embarques para o Leste Europeu aumentaram 91,3% e para a África 26%. No acumulado do ano, as vendas para a África aumentaram 43,7% e para o Oriente Médio em 5,6%.
Para os 22 países árabes, Furlan disse que as perspectivas permanecem positivas. "Nossa posição é de otimismo. As vendas da grande maioria dos produtos vão continuar a crescer para os países árabes", disse ele.
No ano passado, as exportações para os países árabes somaram mais de US$ 4 bilhões. A Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB) estima aumento de pelo menos 13% nas vendas deste ano.

