São Paulo – As exportações do grupo Randon cresceram 15,7% no primeiro semestre deste ano sobre o mesmo período de 2010, de acordo com dados divulgados pela companhia. As vendas externas somaram US$ 130 milhões. "As exportações foram puxadas principalmente pelo continuado bom desempenho dos mercados latino-americano e africano e a forte recuperação na demanda de caminhões, veículos comerciais, reboques e semi-reboques da América do Norte, especialmente Estados Unidos", disse o diretor corporativo e de relações com investidores, Astor Schmitt, na divulgação dos resultados, nesta quarta-feira (10).
A Randon mantém em três países árabes da África – Egito, Argélia e Marrocos – centros de montagem de semi-reboques, a partir de CKDs (veículos desmontados) enviados do Brasil. No mundo árabe, o grupo possui ainda um escritório em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
De acordo com Schmitt, apesar do bom desempenho da empresa nas exportações, o resultado que ela vem obtendo na área está abaixo do conseguido em suas operações como um todo. "Nos últimos cinco anos, nossas exportações cresceram 3,77% ao ano (em média). Estão crescentes, positivas, mas mais moderadamente do que o conjunto consolidado das empresas Randon", afirmou o diretor de relações com investidores.
Segundo ele, isso é sintoma da dificuldade de competir, do Brasil para fora, em função do real valorizado frente ao dólar e do “Custo Brasil”, o que engloba, de acordo com Schmitt, desde impostos até falta de infraestrutura de qualidade. "Sim, estamos crescendo, vamos perseverar tentando exportar, mas as dificuldades e os desafios são crescentes", afirmou. De acordo com o diretor, não há perspectivas de aumento maior nas exportações, para o segundo semestre do ano, em função dessa falta de competitividade.
Do total exportado pela empresa no primeiro semestre, US$ 50,9 milhões foram veículos e implementos, setor que, individualmente avançou 24,4% sobre os seis primeiros meses do ano passado. Autopeças somaram US$ 79,2 milhões em vendas externas, mas com avanço de apenas 10,7%.
Recordes
A Randon teve, entre janeiro e junho deste ano, recorde em produção, receitas e resultados, segundo as informações divulgadas pela companhia. A receita bruta total da empresa alcançou R$ 3,1 bilhões, com avanço de 21% sobre os mesmos meses de 2010; a receita líquida consolidada ficou em R$ 2 bilhões, com alta de 20,6%; o lucro bruto consolidado em R$ 529,5 milhões, com avanço de 28,5%; o lucro líquido consolidado em R$ 155,9 milhões, com alta de 51,3%; e o Ebitda consolidado em R$ 315 milhões, aumento de 23,2%.
De acordo com Schmitt, as altas taxas obtidas pelo grupo devem ser mantidas em 2011, mas é esperado algum arrefecimento no desempenho em geral no segundo semestre. Ele afirma que o cenário econômico aponta para isso, com redução da taxa de crescimento brasileira e decisões governamentais nesta direção, maior dificuldade de acesso ao crédito, taxas de juros crescentes, redução da geração de empregos e do aumento de salários. O diretor afirma que ainda é cedo para avaliar os últimos acontecimentos, referindo-se à crise deflagrada nos mercados europeus e norte-americano.
A empresa, no entanto, tem em carteira pedidos para três meses de produção e mantém a sua previsão de receitas para o ano, que é de R$ 5,9 bilhões. "Podemos fazer sim e com rentabilidade", disse Schmitt. A previsão para exportações, no ano, é de US$ 250 milhões e de investimentos, R$ 270 milhões. Até o final do primeiro semestre foram investidos R$ 98,1 milhões em expansão, modernização da empresa, inovação e tecnologia, além de reposição de ativos depreciados, entre outros, relatou o diretor corporativo.

