Da Agência CNI
Cuiabá – Diante de um cenário de contínua recuperação, as exportações mato-grossenses registraram evolução de 14,91% no acumulado até junho de 2007, se comparado ao mesmo período de 2006. Mato Grosso continua sendo o maior estado exportador do Centro-Oeste, com 52% do total apresentado pela região, o que o mantém na 10ª posição do ranking dos maiores exportadores do país. No país, a variação no mesmo período foi de 19,91%, sendo que o total exportado nacionalmente chegou a pouco mais de US$ 73 bilhões, enquanto que no estado o número foi de US$ 2,3 bilhões.
Os números, divulgados ontem (17) pela Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (FIEMT), foram mais uma vez considerados expressivos pelos empresários, pois sempre que o estado amplia ou abre novos mercados, a tendência é manter o crescimento. O destaque fica por conta do complexo soja – commodity de maior comercialização e líder nas exportações – com acréscimo de 4,35% em comparação com o mesmo período de 2006. O complexo representa 70,89% do total das exportações, num montante de US$ 1,63 bilhão.
Os sub-produtos de valor agregado, como farelo, óleo e lecitina, ganharam mais visibilidade e espaço no mercado internacional, com acréscimos de 22,7%, 47,77% e 20,23% respectivamente. O cenário atual do mercado aponta para o abastecimento interno da soja em grãos para a produção do biodiesel. Segundo o vice-presidente da FIEMT, Jandir José Milan, a evolução dos números do complexo soja refletem a crise energética que afeta a Argentina.
“O ritmo de produção das esmagadoras de soja do país – principal fornecedor do mundo em farelo e óleo – diminuiu e está retardando o embarque de grãos e derivados no seu maior complexo portuário”, avalia.
A cidade de Rosário, a 300 km de Buenos Aires, na Província de Santa Fé, escoa mais da metade do produto argentino exportado. “Essa desaceleração significa boa oportunidade para a indústria brasileira ganhar espaço no mercado internacional”, complementa Milan.
Outros produtos que merecem destaque na pauta de exportações são o milho, a carne e a madeira. O expressivo acréscimo do milho em 396,61%, do valor total de US$ 49,9 milhões no acumulado até junho, também reflete o cenário internacional.
Até o ano passado, os Estados Unidos eram os maiores produtores de milho no mundo, mas a busca por novas alternativas de combustível (etanol), visando atender às demandas internas, tirou o país do mercado de exportação, abrindo espaço para outros países comercializarem o produto.
“Mato Grosso não tinha uma produção muito significativa, mas com esta oportunidade de novos negócios houve ampliação da área plantada, fazendo com que o estado atingisse uma supersafra. Esperamos que o milho saia da sazonalidade e passe a ser comercializado o ano inteiro”, enfatiza Milan.
O segmento de carnes, com US$ 364,273 milhões, também se destacou em junho, saindo de 10,86% para 15,82% do total exportado pelo Estado. A carne bovina e a de aves continuam sendo as mais comercializadas, mas a suína merece ênfase pelos 2.058,82% de crescimento apresentado no período.
“Mato Grosso não tinha capacidade para o abate suíno, mas o setor industrial começou a trabalhar intensamente para atender a esta demanda, gerando maior capacidade para a atividade e influenciando diretamente no acréscimo das exportações do produto”, enfatiza o secretário adjunto de Desenvolvimento de Indústria, Comércio, Minas e Energia (Sicme), Rodrigues Palma.
Os produtos de base florestal registram evolução de 36,14% em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo o coordenador do Centro Internacional de Negócios (CIN) da FIEMT, Emerson Moura, a madeira está com um padrão de industrialização maior, fato que acrescenta fator que influenciou esta evolução. “O foco da comercialização mudou da madeira serrada para a beneficiada (compensada, perfilada, pisos de madeira e deck), produto com maior valor agregado que impulsionaram os números de venda.”
O dólar baixo continua fazendo os dois papéis: de aliado e oponente. “Esta queda não favorecesse as exportações, pois a perda cambial do estado atinge um número muito alto. As importações, que neste período apresentaram evolução de 198%, em comparação ao mesmo período do ano passado, saíram de US$ 109 milhões para US$ 328 milhões. Isso significa que o parque industrial de Mato Grosso está se beneficiando de novas tecnologias, máquinas e equipamentos, aumentando a competitividade do setor”, complementa o coordenador do CIN.

