São Paulo – As exportações brasileiras de veículos fecharam 2016 com crescimento de 24,7% em volume, somando 520,3 mil automóveis, comerciais leves, chassis de ônibus e caminhões embarcados. Os dados foram divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) nesta quinta-feira (05).
Foi o melhor ano para os embarques de veículos produzidos no Brasil desde 2013, quando a indústria exportou 565,1 mil unidades. Em 2015, as vendas externas do setor somaram 417,3 mil unidades.
Em valores, a indústria automotiva brasileira faturou US$ 10,665 bilhões com as vendas externas no ano passado, crescimento de 1,6% sobre 2015. Fatores como a desvalorização cambial brasileira e o “mix” de produtos ajudam a explicar essa diferença entre volume e receita. Os embarques de caminhões, produto com maior valor agregado, por exemplo, cresceram apenas 2,3% no ano e os de máquinas agrícolas, que também compõem esse total de receitas, caíram 5,7% em 2016.
O aumento na quantidade de veículos exportados contribuiu para que a produção da indústria automotiva brasileira não sofresse um tombo maior. No ano passado, as fábricas nacionais produziram 2,16 milhões de unidades, o pior desempenho desde 2004, quando foram produzidas 2,12 milhões de unidades. Comparada com 2015, a produção recuou 11,2%.
O mercado doméstico registrou o menor resultado desde 2006: foram comercializados 2,05 milhões de veículos no ano passado, uma queda de 20,2% na comparação com 2015. Dez anos antes, o mercado interno fechou com 1,93 milhão de unidades.
Em nota, Antonio Megale, presidente da Anfavea, citou alguns fatores para justificar o recuo nas vendas: “O primeiro é a confiança em baixa, em razão da instabilidade política vivida pelo País, que fez investidores e consumidores adiarem suas decisões. O segundo é o acesso ao crédito, resultado da conjuntura socioeconômica, que tornou as instituições financeiras muito seletivas na hora da concessão”.
Previsões
A Anfavea acredita que 2017 será positivo para o setor. As projeções indicam novo aumento nas exportações, desta vez de 7,2%, para 558 mil unidades. O mercado doméstico deverá se recuperar um pouco e fechar o ano com 2,13 milhões de veículos comercializados, uma alta de 4%. Já na produção é esperado um crescimento de 11,9% sobre o resultado de 2016, somando 2,41 milhões de unidades.
“A conjuntura macroeconômica indica fatos positivos, como aumento do PIB, inflação convergindo para o centro da meta, reduções contínuas da taxa básica de juros e estabilização do dólar. Além disso, a PEC do teto dos gastos já está aprovada, algumas medidas econômicas foram anunciadas, vivenciamos estabilização do ritmo de vendas e teremos uma base baixa de comparação. Ao juntar todos estes fatores, acreditamos em uma reação sequencial, que passa pela retomada da confiança tanto do consumidor quanto do investidor, reaquecimento do consumo e abertura gradual da concessão de crédito”, disse o presidente.


