Alexandre Rocha
São Paulo – As exportações do agronegócio para os países árabes renderam US$ 647,7 milhões ao Brasil nos primeiros três meses de 2004, segundo informações fornecidas à ANBA pelo Ministério da Agricultura. Houve um aumento de mais de 95% nas receitas em relação ao mesmo período do ano passado, quando o valor foi de US$ 331,8 milhões. No total, as exportações do setor agropecuário nos primeiros três meses do ano somaram US$ 7,839 bilhões.
Houve um aumento significativo nas vendas para boa parte dos países árabes, a exemplo do que ocorreu com as exportações totais para a região, que somaram US$ 892,2 milhões no período. Principalmente para o Egito, Síria, Argélia, Marrocos, Líbia, Iêmen, Emirados Árabes Unidos, Tunísia, Kuwait, Mauritânia, Jordânia, Líbano, Catar, Bahrein e Sudão.
Chama a atenção as exportações para a Síria, que saltaram de US$ 2,6 milhões para US$ 35,4 milhões. Atallah acredita que parte das compras feitas pelo país devem estar sendo reexportada para o Iraque.
A Arábia Saudita, embora não tenha registrado o maior crescimento entre os países árabes, continua a liderar as vendas do agronegócio para a região. No primeiro trimestre do ano passado os embarques para o país renderam US$ 115,1 milhões, e nos primeiros três meses de 2004 US$ 127,8 milhões.
Produtos
De acordo com o presidente da Câmara de Comércio Árabe- Brasileira (CCAB), Paulo Sérgio Atallah, os principais produtos exportados para os árabes no primeiro trimestre foram o açúcar (US$ 180 milhões), a carne de frango (US$ 170 milhões), a carne bovina (US$ 90 milhões), o trigo (US$ 85 milhões), o óleo de soja (US$ 40 milhões), o café (US$ 20 milhões) e o leite (US$ 5 milhões).
Ele ressaltou que o aumento nas vendas de todos estes produtos foi substancial e alguns deles, como o trigo, sequer constavam da pauta de exportações para a região nos primeiros três meses de 2003.
O Brasil exportou trigo pela primeira vez no final do ano passado e os países árabes do Norte da África figuraram entre os maiores compradores no período.
Fatores
Atallah destacou também o trabalho feito pela CCAB, pelos produtores brasileiros e pelo governo na abertura de mercados e promoção de certos produtos, como ocorreu no caso da carne bovina. A Argélia, por exemplo, começou a importar o produto do Brasil apenas no final do ano passado, após a assinatura de um acordo sanitário entre os dois países. E as vendas para o Egito cresceram bastante, tanto que o país tornou-se, no início deste ano, o maior comprador da carne bovina brasileira.
No caso do leite, ele ressaltou que a Argélia é também um grande mercado para o produto, ainda pouco explorado pelo Brasil. "A Argélia é grande compradora de leite de vários lugares do mundo, é um mercado a ser explorado", afirmou.
Além das ações de promoção comercial, Atallah destacou que a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a cinco países árabes em dezembro ajudou bastante no aumento das exportações.
"Isso ajudou a melhorar a imagem do Brasil. Você está vendendo um produto que tem que ter qualidade, pois é comida, vai para a mesa do cidadão. Portanto, isso tem que ser acompanhado de um trabalho muito bem feito de marketing, o país tem que ter credibilidade no setor", disse.
Otimismo
Ele disse, porém, que o aumento das vendas do agronegócio não chega a surpreender. "Na verdade a nossa expectativa é de que vai continuar a crescer", disse. Enquanto no primeiro trimestre do ano passado as exportações do setor para os árabes caíram mês a mês, até agora, este ano, o movimento foi exatamente o inverso, os números só subiram.
"Estamos esperando um final de primeiro semestre muito bom e, no segundo semestre, a consolidação desses resultados positivos. Eu estou muito otimista", afirmou.
Atallah acrescentou que os produtores e exportadores brasileiros têm que continuar a ser "agressivos" nos negócios. "Essa é a nossa lição de casa: sermos comercialmente agressivos", afirmou.
Mas ele ressaltou que, mais importante do que só pensar em aumentar as vendas, é preciso incentivar o aumento da corrente comercial como um todo, comprando mais também. "Isso tem que ser levado a sério. Interessa que o crescimento ocorra dos dois lados. Me anima muito ver que isso também está ocorrendo", concluiu.

