Isaura Daniel
São Paulo – Depois de alcançar faturamento recorde de US$ 5,2 bilhões no ano passado, as exportações brasileiras para os países árabes se preparam para dar mais um salto neste ano. As previsões da Câmara de Comércio Árabe Brasileira indicam vendas de US$ 6,2 bilhões em 2006, superiores em 20% ao ano passado. Os números foram divulgados ontem (11) em coletiva à imprensa pelo presidente da entidade, Antonio Sarkis Jr.
O percentual é superior à estimativa de crescimento de 12% que o governo brasileiro fez para as exportações nacionais para 2006. Segundo Sarkis, a previsão da Câmara Árabe está baseada no crescimento que a economia mundial deve registrar neste ano e também no aumento do preço de algumas das principais commodities exportadas pelo Brasil para os países árabes, como o açúcar e o café.
Sarkis lembra que a Embraer, fabricante brasileira de aeronaves, fechou no ano passado um contrato de venda de 15 jatos Embraer 170 com a Saudi Arabian Airlines, da Arábia Saudita, e parte das aeronaves serão entregues neste ano. A primeira delas chegou na companhia saudita no início de dezembro e entrou em operação no começo deste ano. A empresa é a primeira do Oriente Médio a usar os jatos regionais da Embraer.
De acordo com Sarkis, a Câmara Árabe vai trabalhar para diversificar a pauta de produtos exportados e dará atenção especial à promoção de artigos manufaturados e do setor de construção civil. Em 2005, 1.901 itens integraram da pauta contra 1.867 no ano anterior. O presidente da Câmara Árabe lembra que os países árabes estão fazendo altos investimentos em construções e que as empresa de engenharia e material de construção podem encontrar oportunidades de negócio no segmento.
"A Argélia tem um plano qüinqüenal de mais de US$ 50 bilhões de investimentos em projetos de infra-estrutura como estradas, aeroportos, moradias", diz Sarkis. Ele lembra que os países árabes não são auto-suficientes no setor e precisam do serviço de companhias estrangeiras. A Toyota, por exemplo, vai construir um prédio comercial de 20 andares em Doha, no Catar, e está aberta a propostas de construtoras brasileiras. Em função do aumento expressivo no número de construções no Catar, as empresas locais não têm disponibilidade para abraçar novas obras.
Meta: US$ 15 bilhões
Apesar da previsão oficial de crescimento das exportações do Brasil para os árabes ser 20%, Sarkis cogita a hipótese do percentual ser ultrapassado. "Esse é um número realista, mas sempre trabalhamos para superar as previsões", diz o presidente da Câmara Árabe. Ele afirma que o crescimento de 29% ocorrido nas exportações em 2005 tornou mais atingível a meta, estipulada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, de elevar a corrente comercial do Brasil com a região para US$ 15 bilhões em 2007.
Em 2005, o comércio entre o Brasil e o mundo árabe alcançou US$ 10,5 bilhões. As exportações do país para os árabes cresceram 29% e chegaram a US$ 5,2 bilhões, e as importações ficaram em US$ 5,3 bilhões, com alta de 28%. As importações não devem oscilar muito neste ano, de acordo com Sarkis. "O valor das importações é muito suscetível aos preços do petróleo. Importamos principalmente petróleo, fosfato e fertilizantes dos países árabes", afirma o presidente da entidade. Os preços do petróleo não devem crescer muito neste ano, já que tiveram altas consideráveis em 2005.
Da Tunísia
A Câmara Árabe, porém, está empenhada também em diversificar a pauta de mercadorias vindas do mundo árabe. Em novembro, durante uma missão comercial brasileira à Tunísia, começou a ser discutida a possibilidade de embalar o azeite produzido pelo país árabe no Brasil. Na próxima semana, uma delegação de empresários e autoridades tunisianas, liderada pelo ministro de Assuntos Estrangeiros, Abdelwahab Abdallah, vai visitar Brasília e São Paulo para tratar de cooperação bilateral em diversos setores.
Açúcar, frango, minério
Os principais produtos exportados pelo Brasil aos árabes do ano passado foram o açúcar, seguido do frango, minério de ferro, carne bovina, óleo de soja, chassis com motor e tratores. Os países da Liga Árabe responderam, em 2005, por 4,4% das exportações nacionais e, entre janeiro e novembro, ficaram em quinto lugar como maior destino das vendas, atrás dos Estados Unidos, Argentina, China e Holanda.
De acordo com estimativas feitas pela Câmara Árabe, o maior comprador dos produtos brasileiros entre os árabes foi a Arábia Saudita, com US$ 1,2 bilhão, seguida do Egito, com US$ 868 milhões, dos Emirados Árabes Unidos, com US$ 727 milhões, e do Marrocos, com US$ 414 milhões. Já os maiores fornecedores árabes para o Brasil foram a Argélia, com US$ 2,8 bilhões, e a Arábia Saudita, com US$ 1,3 bilhão. Os dois países são produtores de petróleo.

