Isaura Daniel
São Paulo – As exportações brasileiras para os países árabes têm potencial para continuar a crescer acima da média nacional em 2005. A opinião é do secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Ivan Ramalho, que participou ontem (22) do 24º Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex), em São Paulo.
"Deve haver um crescimento expressivo nas vendas para os países árabes, que ainda têm uma participação menor nas exportações brasileiras", disse o secretário. "Já neste ano alguns mercados como o árabe, o africano e o do Caribe tiveram crescimento acima da média", acrescentou.
O ministro da pasta, Luiz Fernando Furlan, reafirmou ontem, na abertura do encontro, que as vendas internacionais vão ultrapassar os US$ 100 bilhões em 2005. Furlan lembrou, porém, que o ritmo de crescimento não será o mesmo deste ano. "O mercado interno está com uma demanda maior de produtos e não temos estrutura para continuar crescendo 30% ao ano", afirmou. Se as vendas ficarem em US$ 100 bilhões, o crescimento será de cerca de 5% em 2005. O ministério, porém, ainda não fechou uma projeção.
O ministro afirmou que o comércio com alguns mercados pode crescer em percentual maior. "Olhem bem para China, México, Rússia, e Índia. São mercados para onde as exportações podem crescer em ritmo muito maior", disse aos cerca de três mil empresários presentes na abertura.
Da mesma maneira, as exportações para os árabes têm potencial para continuar em alta. Neste ano, as vendas brasileiras para a região devem atingir US$ 4 bilhões, de acordo com as estimativas da Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB), com aumento de 48% sobre o ano passado. O percentual vai ficar acima da média nacional, que deverá ser de 28% se confirmadas as projeções do Banco Central, de exportações de US$ 94 bilhões.
O ministro lembrou que a média mensal de exportações brasileiras saiu de US$ 5 bilhões em 2002 para US$ 6,1 bilhões em 2003 e atingiu US$ 7,8 bilhões neste ano. Ele assegurou que, mesmo com a queda de preços da soja e do aço, as exportações vão continuar crescendo no ano que vem. "O que estamos vendo é um movimento sem volta. Houve uma mudança cultural", disse Furlan, referindo-se ao esforço das empresas, inclusive de pequeno porte, por participar do comércio internacional. O ministro afirmou que em quatro anos o Brasil tem condições de dobrar suas exportações e que em 2006 a soma de importações e exportações poderá chegar em US$ 200 bilhões.
Furlan falou também sobre o potencial do mercado chinês e comemorou os avanços do Brasil na aproximação comercial com o país. "Em três anos poderemos dobrar o comércio com a China de US$ 10 bilhões para US$ 20 bilhões", afirmou. O Brasil reconheceu a China como uma economia de mercado – o que significa que o país tem direito ao uso das normas da Organização Mundial do Comércio (OMC) -, em troca de uma série de outras vantagens comerciais.
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que também participou da abertura do Enaex, garantiu que o estado chegará a sua meta de US$ 30 bilhões em exportações até o final do ano. "Queremos saber agora é em quanto vamos superar os US$ 30 bilhões", disse o governador.
Dólar
Uma das reivindicações por parte dos empresários, ontem durante a abertura do Enaex, foi a taxa de câmbio. Desde que o dólar caiu para cerca de R$ 2,8, tem sido motivo de preocupação para os exportadores. "Seria bom que o câmbio ficasse em R$ 3 para não prejudicar a continuidade das exportações", disse o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf.
Furlan admitiu que a desvalorização do dólar pode prejudicar as exportações. Ele recomendou, porém, aos exportadores que façam seus contratos em outras moedas, dos países para os quais estão exportando, como iene ou euro, para que não sejam prejudicados pela valorização do real frente ao dólar. "Os empresários terão que fazer um esforço para reduzir seus custos internos e compensar a taxa de câmbio", disse Benedicto Fonseca Moreira, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).
O 24º Enaex segue até amanhã (24) no Centro de Convenções Hotel Transamérica. Hoje à tarde, o secretário-geral da CCAB, Michel Alaby, fará uma palestra sobre as peculiaridades das negociações com os árabes. Há cinco painéis previstos para hoje, com temas como a desburocratização, a promoção comercial e a infra-estrutura de transportes.
Além de espaço de debates, há um espaço com estandes de bancos, empresas e órgãos públicos, todos ligados ao comércio internacional. A CCAB possui um estande no local, onde são dadas informações sobre o mercado árabe e os serviços oferecidos pela entidade. Os estandes montados no local são institucionais. Há cerca de 20 estandes como o do Banco do Brasil, do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Varig Log, Correios e Banco Bradesco.

