Randa Achmawi, especial para a ANBA
Cairo – A Serra Comercial, representante da Repume Iluminação, de São Paulo, fechou ontem, durante a Feira do Cairo, no Egito, um contrato de US$ 200 mil para fornecer material de iluminação pública para a Tanzânia. O negócio envolve um contêiner de 20 pés com cinco mil peças. A Repume tem sede em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, e fabrica desde postes até projetores, luminárias industriais, decorativas e para a área pública. "Na Tanzânia a população tem um poder aquisitivo bastante reduzido, mas nossa companhia tem produtos que podem atender a demanda com preços que são bastante convenientes", disse a diretora da Serra Comercial, Mary Benmayor, à correspondente da ANBA no Egito. A compra foi feita por um engenheiro da Tanzânia.
A Serra Comercial é uma das empresas brasileiras que participam desde terça-feira da Feira do Cairo, no espaço organizado pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB) e a Agência de Promoção de Exportações (Apex). Além dos egípcios, a diretora da companhia também recebeu visitantes do Marrocos, Palestina e Zâmbia durante o dia de ontem, no estande brasileiro."Todos eles se mostraram bastante interessados, fizeram mil perguntas, levaram consigo os preços", afirmou.
Mary pretende levar à fabricante das luminárias que representa a proposta de criar uma linha de montagem no Egito. Hoje a Serra Comercial tem um escritório em Los Angeles que exporta produtos da Repume para os Estados Unidos e também para o Egito. De acordo com a diretora da Serra, várias firmas egípcias com quais teve contato estão interessadas em firmar a parceria. "Um dos candidatos é um projetista egípcio. Se for firmada a parceria, os produtos terão a marca Made in Egypt e poderão ser exportados para diversos países da região, como por exemplo, a Líbia, onde existe uma grande demanda para os nossos produtos", disse Mary, que apesar de morar no Brasil, nasceu no Egito. "Quis me aproximar particularmente deste país pois é o lugar onde nasci. Para mim esta é uma maneira de voltar ao lugar de origem quase 48 anos mais tarde”, afirma.
O segundo dia da mostra também foi marcado pela primeira visita do embaixador do Brasil, Elim Dutra, ao estande brasileiro. “Esta é a melhor apresentação que o Brasil já fez na Feira do Cairo. O estande, este ano, dobrou de tamanho e todos os representantes de empresas com os quais conversei estão bastante entusiasmados. Alguns deles já fizeram negócios e outros estão sentindo que o ambiente é extremamente favorável. Por isso acho que estamos começando com o pé direito”, afirmou. De acordo com o embaixador, os representantes das empresas brasileiras estão percebendo que há na feira possibilidade de negócios não só com os egípcios, mas também com distribuidores de produtos de outros países da região.
Os importadores que visitaram o estande brasileiro também saíram bem impressionados. “Nós trabalhamos com a exportação de arroz e entramos em contato com os representantes da Sanmak pois estamos interessados em suas máquinas de beneficiamento de arroz’, diz Ehab Mostafa, diretor de As-Sonbolah, empresa egípcia especializada no processamento e distribuição de arroz. A Sanmak é uma fabricante catarinense de selecionadoras automáticas de grãos e faz parte das empresas brasileiras que estão expondo na mostra. “Consideramos as máquinas brasileiras comparáveis às japonesas e às de Taiwan se falarmos em eficiência. E do ponto de vista dos custos, elas são ainda mais interessantes”, diz Mostafa.
Os estandes brasileiros receberam ontem cerca de 150 visitantes. O movimento foi positivo, de acordo com Michel Alaby, secretário-geral da CCAB. Além da Sanmak e da Serra Comercial, integram o espaço nacional outras nove empresas e entidades, como a Associação Brasileira das Indústrias de Carnes Industrializadas (Abiec), a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos (Abef), a Sansuy e a Madeireira Uliana. A mostra segue até o dia 25 de março.

