Da redação
São Paulo – Os mercados dos países árabes para a carne bovina brasileira podem crescer substancialmente. A avaliação é da diretoria da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), que divulgou nesta quinta-feira (06) o resultados das exportações do setor em abril. O Egito continua a liderar as compras de carne bovina do Brasil em 2004.
No mês passado foram embarcadas para o país árabe quase 20,5 mil toneladas do produto a US$ 20,35 milhões, um crescimento de 72,95% na quantidade enviada e de 120,51% nas receitas, em comparação com abril do ano passado.
Outros países árabes também aparecem na lista dos 15 maiores compradores do produto brasileiro no mês. A Arábia Saudita, por exemplo, importou 4,75 mil toneladas de carne in natura a US$ 5,3 milhões, um aumento de 6,77% nas quantidades e de 37,55% nas receitas, ante os números registrados em abril do ano passado.
No caso da carne industrializada, Omã aparece em 11° lugar entre os 15 maiores importadores do mês, os Emirados Árabe Unidos ficaram na 13ª posição, seguidos da Arábia Saudita.
Geral
No total, o Brasil exportou em abril 142 mil toneladas de carne a US$ 184 milhões, um crescimento de 25,25% no volume embarcado e de 65,12% no faturamento, em relação ao mesmo mês de 2003.
Apesar do bom desempenho, o presidente da Abiec, Marcus Vinicius Pratini de Morais, disse que os resultados poderiam ter sido melhores. De acordo com ele, as exportações foram prejudicadas pela falta de contêineres frigoríficos. Esse problema ocorreu, segundo informações da entidade, porque há uma retenção de equipamentos desse tipo no sudeste asiático, por causa do aumento do aumento das exportações mundiais para a região. De acordo com a associação, somente em Hong Kong há 5 mil contêineres vazios e parados.
"Os nossos exportadores têm que enfrentar dois grandes desafios: dificuldades de movimentação e uma brutal elevação nos fretes marítimos", disse Pratini, segundo informou sua assessoria de imprensa.
Um dos fatores que possibilitou o crescimento do faturamento do setor, com as exportações, foi o aumento do preço médio do produto no mercado internacional. Segundo a Abiec, o valor médio da carne in natura aumentou 35% em abril, em comparação com o mesmo mês de 2003. Já o preço da carne industrializada teve variação positiva de 14,51%.
No acumulado do ano o Brasil exportou mais de 526,1 mil toneladas de carne a US$ 666,9 milhões, um crescimento de 19,5% nos volumes e de 54,5% nas receitas em relação aos quatro primeiros meses de 2003.
China
Apesar da confiança no desenvolvimento do mercado árabe, a maior expectativa dos produtores brasileiros é com a abertura da China para o produto. Tanto que um grupo de empresários do setor, liderados por Pratini, vai acompanhar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na viagem que ele fará ao país asiático no final do mês.
De acordo com informações da Abiec, as negociações em torno de um acordo sanitário entre o Brasil e a China foram iniciadas em 2002 e podem ser concluídas ainda este ano. Pratini disse, segundo sua assessoria, que existem 400 restaurantes no país da Ásia cuja tradução dos nomes significa "churrasco brasileiro", embora eles não tenham por lá o sistema de rodízio tão comum no Brasil.

