Randa Achmawi, especial para a ANBA
Cairo – A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) ofereceu, na última quarta-feira (8), um churrasco a cerca de 200 importadores egípcios no Hotel Gezira, no Cairo. O churrasco foi feito para promover a carne brasileira no país, atualmente um dos maiores compradores do produto nacional no exterior.
O diretor-executivo da Abiec, Antonio Jorge Camardelli, esteve no país entre a terça-feira (7) e ontem (9). "Queríamos retribuir a atenção de nossos parceiros egípcios brindando-os, de maneira bem brasileira, com um churrasco", disse Camardelli em entrevista exclusiva à ANBA. Além dos importadores, participaram do encontro representantes do governo, da Liga dos Estados Árabes e da mídia local.
Durante o churrasco, além de apreciar a carne brasileira, os participantes ouviram uma apresentação sobre o rebanho brasileiro. O Egito é atualmente é o segundo maior importador de carne bovina in natura brasileira, de acordo com dados dos cinco primeiros meses do ano divulgados ontem (9) pela Abiec. "O Egito tem sido, nos últimos anos, um excelente parceiro comercial. E a importação da carne brasileira cresceu bastante desde 2001. Atualmente o Egito representa cerca de 11% do total das exportações brasileiras do produto", afirmou Camardelli.
Segundo o diretor-executivo da Abiec, o Egito compra do Brasil mais de 100 mil toneladas de carne a cada ano. "A quantidade vendida ao Egito significa cerca de US$ 160 milhões anuais, um número que é bastante significativo para nós" diz. Entre janeiro e maio deste ano, os egípcios importaram 60,3 mil toneladas de carne in natura do Brasil.
De acordo com Camardelli, na frente dos egípcios, na lista de compradores internacionais da carne brasileira, estão apenas União Européia e países como Rússia e Chile. Ele lembra que o mercado europeu é um dos mais exigentes em relação à qualidade, segurança e origem do produto. "Eles também dão grande atenção a questões como o bem estar do animal e do meio ambiente em que ele é criado".
Grande parte do rebanho brasileiro é criada fora do confinamento, em pastagens, perto de fontes, rios e lagos naturais, o que faz com que o gado tenha uma carne com pouca gordura. Camardelli diz que esse é um dos fatores de sucesso da carne brasileira no exterior. De acordo com Camardelli, o Brasil exporta hoje para 143 países. Só no ano passado foram vendidos mais de um milhão e meio de toneladas de carne, o que representou cerca de US$ 2,5 bilhões.
"O Brasil é o maior exportador de carne bovina de todo o mundo em volume. Perdemos em montante financeiro somente para a Austrália. Possuímos atualmente 195 milhões de cabeças de gado, mais de uma por habitante. É o maior rebanho comercial do mundo. Nossos animais são criados numa superfície de 100 mil hectares e representam 20% da produção mundial", afirma.
O que contribui também para o sucesso das exportações de carne brasileira para o Egito é fato de os matadouros do Brasil seguirem os rituais de abatimento do gado exigidos pela religião muçulmana. "Temos um acordo com a federação muçulmana, garantido a presença de um degolador em cada frigorífico, o que dá a certeza do respeito ao processo religioso. Temos trabalhando conosco, na Abiec, ao menos trinta funcionários de religião muçulmana, responsáveis pelos frigoríficos que fornecem carne exclusivamente aos países islâmicos", afirma.
Um acordo assinado recentemente entre a Abiec e o Egito garante a permanência de degoladores nos locais de abatimento do gado "O que acontecia antes é que cada vez que fechávamos um negócio, tínhamos que sair atrás de alguém para efetivar este controle (o do ritual islâmico). Por isso, a pedido das empresas, existe sempre presente no frigorífico um degolador, independentemente de ter negócios ou não. Segundo o acordo, o degolador deve encontrar-se permanentemente no local onde se efetua o abatimento", explica.
Árabes
Além do Egito, o Brasil também exporta carne para outros países árabes como a Argélia, Arábia Saudita, Kuwait, Líbano e Líbia. "Esses países também tem se destacado na lista de importadores árabes e estão comprando atualmente mais de 50 mil toneladas de carne", afirma.
Segundo Camardelli, se somadas, as importações de carne brasileira pelos países árabes representam hoje mais de 50% das exportações brasileiras do produto. "Os árabes estão comprando do Brasil mais de 700 mil toneladas anualmente, o que significa um valor estimado de mais US$ 1 bilhão" afirma.
Apesar do volume significativo, a Abiec tem mais planos para as vendas de carne brasileira na região. "Estamos com grandes expectativas de que no futuro, com a intensificação do trabalho e o dinamismo das operações, as próprias empresas serão obrigadas a manter filiais nas capitais árabes. Isso contribuirá para um barateamento dos custos de nosso trabalho", explica. Camardelli acredita que também devem ser criadas parcerias entre exportadores brasileiros e importadores árabes, o que deve propiciar um abastecimento mais fluído no varejo.

