Marina Sarruf
São Paulo – Para comemorar os 125 anos da imigração libanesa no Brasil a Caixa Cultural está promovendo uma exposição com fotos, documentos históricos, objetos de arte, livros e material jornalístico que demonstram a trajetória de imigrantes libaneses e seus descendentes no país. A mostra ficará em cartaz em São Paulo até o dia 2 de dezembro na Galeria Neuter Michelon.
"Eu acho muito importante fazer uma exposição como esta. Nos faz reviver a história da imigração libanesa no Brasil", afirmou a organizadora da mostra, Lody Brais. Segundo ela, essa é a primeira vez que se comemora uma data da imigração libanesa, que começou oficialmente em 1880, quatro anos depois da visita do imperador D.Pedro II ao país árabe.
Os objetos de arte e os livros expostos na mostra são de autores brasileiros descendentes de libaneses, como Cláudio Aun e Odete Eid, que assinam as esculturas e Aziz Ab Saber, Milton Hatoum e Gibran Kalil Gibran, escritores conhecidos internacionalmente. Além disso, a exposição conta com uma série de fotografias das expedições do navegador brasileiro Amyr Klink, filho de pai libanês, e ainda há objetos pessoais do campeão mundial de Fórmula Indy, Tony Kanaan, também descendente de libaneses.
"Eu mesma tive a idéia de organizar a exposição e fui atrás de tudo", disse Brais. Ela conta que teve a idéia de pintar todas as paredes da sala da exposição de verde e vermelho, que são as cores da bandeira libanesa.
Essa não é a primeira vez que a mostra "125 Anos da Imigração Libanesa no Brasil" está aberta ao público. Em abril deste ano, Lody organizou a exposição no Clube Monte Líbano, quando foi realizada uma cerimônia para comemorar o aniversário da comunidade no local, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outras autoridades. "No entanto, ficou muito restrita aos sócios, agora a idéia é mostrar para o público brasileiro em geral", disse Lody.
Outra curiosidade da mostra é uma coleção filatélica, que são selos de postagem, libanesa, que foram conseguidos com a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Além disso, a mostra ainda conta com uma coleção de cédulas libanesas.
Com o apoio da Caixa Cultural, Lody pretende levar a exposição para outros estados. "Queremos que seja uma exposição itinerante. Levar para outros lugares que também têm uma forte presença da colônia árabe", disse.
Atualmente, vivem no Brasil mais libaneses e descendentes do que no próprio Líbano, são cerca de seis milhões, contra 3,7 milhões (em 2004) no país árabe. Muitos começaram como mascates, abriram lojas e seguiram para o ramo industrial, porém, hoje, eles se destacam na medicina, na política, nas artes e no esporte. A própria Lody é uma libanesa que vive no Brasil desde os 4 anos de idade. Seu pai, veio da cidade de Sebhel, no Líbano e chegou no país em 1956. Um ano mais tarde, Lody se mudou para São Paulo com sua mãe e irmãos.
Serviço
125 Anos da Imigração Libanesa
Data: 02 de dezembro de 2005 à 01 de janeiro de 2006
Local: Galeria Neuter Michelon do Edifício Sé
Endereço: Praça da Sé, 111. 1° andar
Horário: de terça a domingo das 9hs às 21hs
Entrada franca

