São Paulo – Conflitos em diversas partes do planeta, como Síria, Palestina, Afeganistão, Mali, Iraque e outros países obrigam milhões de pessoas a abandonarem suas casas e se abrigarem em acampamentos em nações vizinhas. É para mostrar a vida nestes lugares, que reúnem centenas de famílias, que a ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) montou a exposição Campo de Refugiados no Coração da Cidade, que foi aberta nesta sexta-feira (06) e fica até o próximo dia 15, em São Paulo.
A mostra reproduz um campo de refugiados, com tendas, fotos e até bonecos, imitando a vida no local. Em visitas guiadas, os visitantes poderão ver como funcionam os consultórios médicos, posto de vacinação, centro de nutrição e sala de atendimento de saúde mental dentro de um espaço assim.
“As crianças são as que mais sofrem. Muitas chegam aos campos com desnutrição severa e outras doenças evitáveis, como a diarreia. Elas também desenvolvem esses quadros durante a estadia nos campos, que muitas vezes funcionam em condições precárias e onde a ajuda humanitária costuma ser limitada, o que também facilita a disseminação de doenças contagiosas”, conta a diretora-geral da MSF-Brasil, Susana de Deus, segundo nota da ONG.
Os cuidados oferecidos pela Médicos Sem Fronteiras, relata a nota, variam de acordo com as necessidades de cada campo e, em geral, incluem tratamento contra desnutrição, cuidados de saúde básica, vacinação e saúde mental. Atualmente, os países árabes são os que mais têm demandado assistência da ONG.
“Nesse momento, alguns de nossos maiores projetos junto a refugiados estão no Iraque e na Jordânia, onde o enorme influxo de pessoas que fogem da guerra na Síria gerou um quadro grave de necessidades humanitárias, e a ajuda disponível está muito aquém das necessidades da população”, explica Susana. “Há ainda uma grande crise de refugiados, da qual pouco se fala, no Sudão do Sul, onde milhares de sudaneses que fugiram do conflito em seu país têm buscado abrigo”, relata a diretora, sempre segundo nota.
De acordo com a organização, só nos campos de refugiados do Iraque e da Jordânia vivem, hoje, mais de 672 mil sírios que deixaram seu país fugindo da guerra civil que ocorre há mais de dois anos. No total, quase dois milhões de sírios deixaram o país por conta dos conflitos.
Interação
Na exposição, os visitantes são convidados a assumir o papel de refugiados. “Cada visitante receberá um cartão com um pequeno resumo da história de um refugiado e, ao longo do caminho, será convidado a interagir como se fosse aquele refugiado”, explica Susana. “As pessoas poderão conversar com os nossos profissionais, fazer perguntas e tirar dúvidas”, diz a diretora.
De acordo com dados da Agência da Organização das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), mais de 45,2 milhões de pessoas vivem longe de suas casas na condição de refugiados, requerentes de asilo (enquanto esperam a documentação de refugiados) e deslocados internos (casos em que se movimentam em fuga dentro do próprio país).
Somente em 2012, a Médicos Sem Fronteiras prestou assistência médico-humanitária para refugiados e deslocados internos em mais de 30 países. A ONG conta com o trabalho de 34 mil médicos.
Depois de São Paulo, a mostra seguirá para outras capitais brasileiras.
Serviço
Campo de Refugiados no Coração da Cidade
De 06 a 15 de setembro
Horário de visitação: das 10 às 17 horas
Local: Parque do Ibirapuera (Arena de Eventos, acesso pelos portões 3 ou 10)
Entrada gratuita
Mais informações pelo link www.msf.org.br/campoderefugiados


