Isaura Daniel
São Paulo – A Kenana Sugar Company, maior produtora de açúcar do Sudão, vai dobrar sua capacidade de produção nos próximos três anos. A empresa também pretende começar a produzir etanol dentro de cerca de 15 anos. As informações foram dadas por executivos da empresa a representantes da Câmara de Comércio Árabe Brasileira: o coordenador de operações, Rodrigo Solano, e o analista de Desenvolvimento de Mercado, Jean Gonçalves da Silva, que visitaram as instalações da empresa no último final de semana. Os dois estão no país para a 24ª Feira Internacional de Cartum, que começou no dia 24 de janeiro e segue até o dia 02 de fevereiro na capital do Sudão.
De acordo com o vice-gerente industrial da Kenana, Ibrahim Mustafá, a empresa tem capacidade para processar 26 mil toneladas de cana-de-açúcar ao dia e produziu 450 mil toneladas de açúcar no ano passado. A Kenana, porém, está levando adiante um projeto chamado Açúcar Nilo Branco, pelo qual vai construir uma fábrica que terá a mesma capacidade da atual. Os profissionais da Câmara Árabe visitaram o local do projeto, que será próximo ao rio Nilo Branco. A unidade, que começou a ser construída em 2003, ficará pronta, segundo o gerente do projeto, Ahmed El Haj Ibrahim, em três anos. A Kenana terá 15% do capital da nova fábrica e ficará responsável por sua administração.
A produção de etanol também está em fase de estudo na Kenana. A empresa já manifestou interesse em importar a tecnologia brasileira para a fabricação do etanol e quer, inclusive, parceria de brasileiros para atuar no Sudão. O Brasil, na verdade, já tem alguma presença na produção de açúcar da companhia. Parte do maquinário usado na colheita da cana-de-açúcar que a Kenana planta, por exemplo, é importado do Brasil. Também uma variedade de cana produzida, a SP, é originária de São Paulo. Ela representa cerca de 0,5% da produção total. A empresa também importa 60 mil toneladas de açúcar bruto do Brasil ao ano para processamento.
A Kenana está localizada na cidade de Rabak, no lado leste do Nilo Branco, a 300 quilômetros ao sul de Cartum. A empresa produz açúcar, melaço e ração. Parte do açúcar fabricado é feito com cana-de-açúcar produzida pela própria empresa. Ela tem 40,47 mil hectares plantados com o produto. As lavouras são irrigadas. De acordo com informações fornecidas aos representantes da Câmara Árabe, 60% da colheita é mecanizada. Os demais 40% são feitos de forma manual com o objetivo de gerar empregos. A empresa emprega um total de 1,5 mil pessoas, 60% de forma fixa. A colheita começa em novembro e vai até maio do ano seguinte.
O açúcar produzido pela Kenana atende tanto o consumo nacional, no varejo e na indústria, quanto o internacional. A empresa exporta açúcar para a Europa e países do Golfo Arábico. Este ano, a produção deve aumentar, de acordo com Mustafá. As máquinas utilizadas atualmente na produção são importadas da França. A Kenana pertence a vários investidores. O governo do Sudão possui 35,33% do capital da empresa, seguido da Autoridade de Investimento do Kuwait, com 30,64%, e do governo da Arábia Saudita, com 10,97%. Também têm participação na empresa, a Companhia Árabe de Investimentos, a Corporação de Desenvolvimento do Sudão, a Autoridade Árabe para Investimento e Desenvolvimento Agrícola, um consórcio de bancos sudaneses e a Nissho Iwai Corporation.
Cartum
Os representantes da Câmara Árabe visitaram a Kenana como parte das atividades paralelas à mostra de Cartum. A entidade tem um estande na feira no qual está dando informações sobre a indústria brasileira e a sua produção. De acordo com Solano, até agora foram feitos 60 contatos promissores no estande na Câmara Árabe. Além de sudaneses, estão procurando o local, para buscar informações sobre a produção nacional, importadores de outros países como Omã, Arábia Saudita, Turquia, Paquistão e Egito.
Segundo Solano, as maiores áreas de interesse dos importadores junto ao estande da Câmara são maquinários agrícolas, materiais de construção e móveis. Os profissionais da Câmara Árabe estão distribuindo, junto aos visitantes da mostra, catálogos com produtos de empresas brasileiras interessadas em exportar para o país árabe. "Eles ficam surpresos com o potencial da indústria do Brasil. É necessário fazer uma promoção mais agressiva aqui para que eles saibam quão vasta é a indústria nacional", afirma o coordenador de operações.

