Omar Nasser, da Fiep*
Curitiba – A Pormade, indústria de portas de madeira localizada em União da Vitória, no Sul do Paraná, realizou oito embarques para os países árabes nos últimos dois anos. Neste período, um total de 16 contêineres de 40 pés seguiram para a região onde, somente em 2004, a empresa vendeu US$ 100 mil. Os principais artigos comercializados são portas e acessórios, como batentes e guarnições. A criação de uma estrutura eficiente de representação no Oriente Médio deve garantir a realização de novos negócios.
"Pela experiência que nós tivemos e pelos estudos que realizamos, é um mercado bastante promissor", avalia Ariadne Braun, executiva de Vendas Internacionais da companhia. Na Jordânia foi estabelecido um escritório de representação: a Pormade Gulf LDA, que tem por função divulgar o nome da empresa e estabelecer novos contatos. Além da Arábia Saudita e da Jordânia, há boas perspectivas de vendas para o Líbano, conta ela.
Os pedidos feitos pelos sauditas – o primeiro dos quais há dois anos – demandaram um esforço de adaptação por parte da Pormade. E, também, um diálogo com os compradores para que eles abrissem mão de algumas exigências. As medidas-padrão no país são diferentes das brasileiras. A largura das portas, por exemplo, variam de 95 centímetros a um metro por 2,15 metros de altura. No Brasil a largura não passa de 92 centímetros e a altura, de 2,10 metros.
"Como as portas seriam utilizadas em edifícios, seria mais fácil eles levantarem o prédio com o vão que produzimos", revela Ariadne. Um contato com o representante local e o ajuste do maquinário na fábrica ajudaram a viabilizar o negócio.
Para atender às especificações do cliente, a Pormade desenvolveu, ainda, um aglomerado de tamanho especial. No ano passado, um embarque de portas, batentes e guarnições foi enviado para a Arábia Saudita. A mercadoria preencheu um contêiner de 40 pés, num total de US$ 40 mil.
Parceiros antigos
A venda representou a retomada de um relacionamento que no passado foi intenso. Há dez anos, explica Ariadne, a Arábia Saudita era o maior cliente da Pormade. Na época, portas maciças de mogno, com até 2,5 metros de altura, 1 metro de largura e 45 centímetros de espessura entalhadas a mão e com motivos florais eram bem requisitadas pelos sauditas, que as utilizavam em residências e mesquitas. Algumas peças eram usadas para decorar paredes.
O Brasil decidiu proteger suas florestas de madeira-de-lei e proibiu o uso desta matéria-prima. As empresas do setor madeireiro tiveram de se adaptar, buscando madeira de reflorestamento e trabalhando com painéis de MDF ou aglomerado. Como conseqüência, os pedidos dos sauditas sumiram. Agora, eles retornam, reiniciando um intercâmbio que pode ser bastante frutífero, espera a executiva da Pormade.
Fundada em 1939, a Pormade apresentou em 2003 um faturamento de R$ 15,6 milhões. Conta, atualmente, com 311 funcionários. Com duas fábricas em União da Vitória, possui ainda uma área de reflorestamento de pinus, também no Paraná.
*Federação das Indústrias do Estado do Paraná

