São Paulo – A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) divulgou nesta quinta-feira (15) que a produção agrícola da Síria terá uma queda significativa. Segundo a instituição, a combinação do conflito civil que se arrasta desde 2011 e de um forte período de seca no início deste ano afetou de forma severa as culturas de trigo e cevada, as mais importantes do país, o que piora uma situação já difícil em termos de segurança alimentar.
No caso do trigo, por exemplo, a FAO estima uma produção de 1,97 milhão de toneladas este ano, volume 52% menor do que a média registrada de 2000 a 2011. Houve uma redução de 15% na área plantada. A produtividade, por sua vez, deverá ficar em 1,5 tonelada por hectare, muito abaixo da média de 2,4 toneladas por hectare observada anteriormente. A colheita da safra de inverno ocorre nas próximas semanas.
Segundo a agência da ONU, esta situação leva ao aumento da necessidade de importação de alimentos e à elevação dos preços. O valor dos cereais e de outros produtos alimentícios em novembro de 2013 já estava 108% maior do que no mesmo mês do ano anterior.
De acordo com a FAO, o déficit de chuvas variou de 55% a 85% no período de outubro de 2013 a abril de 2014, sendo que os meses de janeiro e fevereiro foram excepcionalmente secos.
Mas a principal causa da queda na produção é o conflito, que provoca o abandono de terras agrícolas, destruição da infraestrutura e de equipamentos, falta de energia, desaparecimento de serviços e de recursos necessários à atividade, desabastecimento e aumento dos preços dos insumos, entre outros problemas sérios.
“A pressão sobre as famílias deslocadas e outros agricultores vulneráveis continua a crescer, o que ameaça provocar consequências de longo prazo para sua segurança alimentar, saúde e sobrevivência econômica”, disse o representante da FAO na Síria, Eriko Hibi, segundo comunicado da instituição.
A agência da ONU informa que distribuiu sementes de cevada para 29 mil famílias de agricultores na safra de inverno e pretende auxiliar 50 mil no próximo ciclo. A ideia é que cada uma consiga pelo menos plantar um hectare de cereais o que, de acordo com a FAO, é suficiente para alimentar uma família por 12 meses e ainda ter excedente para venda no mercado.
A instituição informa que até o início deste mês foram contabilizadas 6,5 milhões de pessoas deslocadas internamente no país e 2,7 milhões de refugiados sírios em outras nações do Oriente Médio. A FAO diz ainda que precisa de US$ 43,6 milhões este ano para auxiliar 135 mil famílias.


