São Paulo – Estrangeiros interessados em desenvolver pesquisas no Brasil podem encontrar uma boa oportunidade de auxílio financeiro na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A instituição quer atrair mais pesquisadores de outros países para que estes possam trocar experiências com os brasileiros e até mesmo se interessar por trabalhar em instituições paulistas.
"É importante para os pesquisadores brasileiros terem a oportunidade de trabalhar com profissionais de outros países", declarou o presidente da Fapesp, Celso Lafer, durante encontro com membros da Associação dos Correspondentes Estrangeiros de São Paulo, nesta segunda-feira (22).
"Nossa aposta é que, durante o tempo em que estejam aqui, eles se interessem em ter uma posição nos centros de pesquisa do estado de São Paulo", informou Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da fundação. Apesar do interesse da instituição em reter os bolsistas no país, os pesquisadores estrangeiros não têm qualquer obrigação de ficar no Brasil após o término do contrato da bolsa de estudo.
Atualmente, a Fapesp financia 12 mil bolsas, das quais pouco mais de 300 são utilizadas por pesquisadores estrangeiros. Segundo Cruz, a fundação não tem um número de vagas definido para o aumento do número de pesquisadores de fora do Brasil, mas ressalta que há oportunidades para interessados "de qualquer lugar do mundo para realizar pesquisas em qualquer área do conhecimento".
Hoje, a maior parte dos pesquisadores estrangeiros auxiliados pela Fapesp vem dos Estados Unidos. A fundação não soube informar se há pesquisadores árabes entre seus bolsistas. Entre as principais áreas pesquisadas pelos estrangeiros estão Física, Química e Ciências da Saúde. (Veja abaixo os tipos de bolsas às quais os estrangeiros podem se candidatar)
A Fapesp também mantém contratos de cooperação com diversas instituições de pesquisa do mundo, incluindo países como França, Reino Unido, Alemanha, Portugal, Argentina, México, Canadá e Estados Unidos.
Investimento público
Criada em 1962, a Fapesp é mantida pela transferência de 1% das receitas tributárias do Estado de São Paulo. Anualmente, a fundação desembolsa cerca de um terço de seu investimento em bolsas de estudo. Em 2009, foram investidos R$ 680 milhões (US$ 400 milhões) para o fomento de ciência e tecnologia no estado. Já em 2010, até dezembro, os investimentos devem chegar a R$ 780 milhões (US$ 459 milhões).
Entre as áreas de pesquisa que mais receberam investimentos em 2009 estão a Saúde (27,89%); Biologia (15,64%), Engenharia (13,84) e Ciências Humanas e Sociais (9,29%). Já as quatro áreas de pesquisas estratégicas mantidas pela Fapesp são mudanças climáticas globais, bioenergia, biodiversidade e neurociência voltada à epilepsia.
Serviço:
Tipos de bolsas para pesquisadores estrangeiros:
1- Pesquisador visitante: Aquele que vem convidado por um pesquisador brasileiro para desenvolver seu trabalho em São Paulo. Recebe as passagens de ida e volta, além de salário compatível com sua área de atuação. Programa pode durar de duas semanas a cinco meses.
2- Bolsa de pós-doutorado: Para profissionais que tenham obtido o doutorado há até sete anos. Recebe mensalidade de US$ 3 mil e passagens de ida e volta para o pesquisador e sua família, além de até 15% do valor anual da soma das mensalidades para utilização em atividades de pesquisa. Programa com duração de até quatro anos.
3- Jovem pesquisador: Recebe as passagens de ida e volta, além de bolsa de até US$ 37,5 mil por ano. Programa pode durar até quatro anos.
Mais informações sobre a Fapesp podem ser obtidas no site www.fapesp.br.

