São Paulo – O primeiro-ministro do Curdistão, Barhan Salek, sugeriu aos brasileiros a organização de uma feira com produtos nacionais em Erbil em 2010. No encontro com o embaixador do Brasil no Iraque, Bernardo de Azevedo Brito, e o secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira , Michel Alaby, em Erbil, Salek demonstrou muito interesse na aproximação do Brasil com o Curdistão.
De acordo com Alaby, a região curda, que está localizada no norte do Iraque, depende muito dos produtos vindos da Turquia e do Irã. O primeiro-ministro citou que existem oportunidades de parcerias entre empresas brasileiras e curdas para a produção de alimentos, vestuários, material de construção, máquinas e equipamentos. Os produtos podem ser exportados para todo o Iraque e países vizinhos.
Salek afirmou que existem atualmente grandes reservas de brita na região para a produção de cimento e que as empresas estabelecidas no Curdistão não dão conta da demanda interna. O custo de produção, por exemplo, gira em torno de US$ 30,00 a toneladas, enquanto que em outros países vizinhos chega a US$ 65,00.
A idéia do primeiro-ministro, segundo Alaby, é levar entre 40 e 50 empresas brasileiras para expor em Erbil. O governo do Curdistão está disposto a ajudar na organização e na promoção do evento. No ano passado, Salek disse que a Itália organizou um evento na região que deu muito resultado. Segundo ele, o comércio entre o país europeu e o Curdistão aumentou em 60% de 2008 para 2009.
Alaby e Brito também tiveram encontros nesta segunda-feira em Erbil com os ministros da Agricultura e Recursos Hídricos, Jamel S. Haidar, e do Comércio e da Indústria , Sinan Abdulkhalq Ahmed Chalabi. Ambos demonstraram interesse em produtos brasileiros e na atração de investimentos.
O governo do Curdistão tem grandes projetos de infraestrutura e no setor agrícola, como construção de barragens, pontes e sistemas de irrigação. Existem leis para o investimento estrangeiro, em parceria com empresas locais. Já existem consultas de países como Ucrânia, Rússia e Cazaquistão, além de empresas turcas e iranianas.
Os produtos brasileiros encontrados na região, como frango, arroz, açúcar, carne bovina, chocolates e outros alimentos são, na maioria, importados pela Turquia e Irã. O governo do Curdistão, segundo Alaby, demonstrou muito interesse em importar direto do Brasil. Outro setor que o governo tem interesse é de equipamentos médico-hospitalares, que hoje são importados da Europa e Estados Unidos.
Estande do Brasil
No sábado, último dia da feira DBX Sulaimaniyah International Tradeshow, no Curdistão, o estande brasileiro, organizado pela Câmara Árabe em parceria com a embaixada do Brasil no Iraque, recebeu a visita do ministro da Defesa da região, Khader Hama Jan Azeez, que elogiou os calçados de segurança da empresa Bompel, que mandou amostras para o evento e busca um distribuidor na região. Nos três dias de feira, o estande brasileiro fez mais de 60 contatos, principalmente de empresas interessadas em comprar carne de frango e bovina, açúcar e leite.
Em encontros paralelos à feira, Alaby e Brito também se reuniram com o ministro dos Transportes do Curdistão, Anwar Jabali Sabo; representantes da Câmara de Comércio e Indústria de Sulaimaniyah e Erbil, entre outros.

