Alexandre Rocha
São Paulo – Começa nesta quarta-feira (02) a 37ª edição da Feira Internacional de Argel, o maior evento de negócios da Argélia e um dos mais importantes da região. Ao todo, representantes de 10 empresas brasileiras vão participar em um estande organizado pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB) e pelo Itamaraty.
"Esperamos aumentar os negócios e o conhecimento mútuo", disse o presidente da CCAB, Paulo Sérgio Atallah. Em sua avaliação, existem grandes oportunidades para as empresas brasileiras em algumas áreas específicas.
Um desses setores é o agronegócio. "A Argélia precisa de parcerias para o desenvolvimento tecnológico nesta área e a expansão de suas fronteiras agrícolas", disse Atallah.
O país árabe necessita, por exemplo, de máquinas e equipamentos para o trabalho no campo. "O Brasil e a Argélia podem ser grandes parceiros no segmento agropecuário", acrescentou o presidente da CCAB.
Entre as empresas brasileiras participantes estão a Nogueira S.A, que atua no setor de máquinas agrícolas, a Double Port, que trabalha no segmento de alimentos e com empreendimentos agropecuários, e o Frigorífico Minerva, produtor e exportador de carne bovina.
Antes mesmo do início da feira já começaram a surgir oportunidades de negócios. Durante a realização de um seminário sobre relações econômicas entre a América Latina e a Argélia, na semana passada, representantes da CCAB, que estão em Argel foram procurados por empresários argelinos interessados em comprar polpa de frutas e material elétrico do Brasil, conforme a ANBA antecipou na segunda-feira (31).
Construção
Outra área em que a Argélia precisa de parcerias é na construção civil, pois o país sofre com um déficit habitacional. Tanto que recentemente o presidente argelino, Abdelaziz Bouteflika, anunciou um programa para a construção de um milhão de moradias.
"O país gostaria de desenvolver parcerias para a produção de residências em larga escala a custos baixos. O Brasil, e várias empresas brasileiras, tem experiência nessa área, o que pode representar boas oportunidades de negócios", disse o presidente da CCAB.
Companhias brasileiras, como a Construtora Rabelo, já participaram de empreendimentos imobiliários na Argélia. O arquiteto Oscar Niemeyer, por sua vez, também projetou edifícios por lá.
Investimentos
Atallah acrescentou que o presidente Bouteflika foi reeleito recentemente, fato que, em sua avaliação, afasta eventuais temores de instabilidade política no país africano, o que torna o país mais seguro e atraente para empreendimentos internacionais, inclusive do Brasil.
"Isso abre perspectivas para investimentos no setor de petróleo e petroquímica, e na indústria nascente que vai se desenvolver no país", disse Atallah.
A Argélia e a Nigéria são os dois principais fornecedores de petróleo para o Brasil, além disso o país árabe é um grande fornecedor de nafta para a indústria petroquímica e detém a quinta maior reserva mundial de gás natural.
Isso faz com que a corrente comercial com o país do norte da África seja extremamente deficitária para o Brasil. Em termos percentuais é um dos maiores déficits que o Brasil tem em sua balança comercial que, no geral, é superavitária.
Só para ter uma idéia, de janeiro a abril deste ano os argelinos exportaram o equivalente a US$ 553,4 milhões para o Brasil, enquanto que, na mão contrária, os negócios renderam apenas US$ 88,6 milhões.
Apesar da força no que diz respeito ao petróleo e derivados, Atallah disse que a Argélia necessita de investimentos para desenvolver outros setores da indústria. O país precisa também de parcerias no segmento de serviços. Tanto que recentemente o ministro argelino dos Correios, Informações e Tecnologia da Comunicação, Amar Tou, anunciou que o governo local está preparando um estudo para determinar a melhor maneira de atrair investimentos estrangeiros para o setor de telefonia fixa.
Conselho empresarial
Antes do início da feira, que será inaugurada pelo presidente Bouteflika, representantes da CCAB vão assinar, com a câmara de comércio local, o documento de criação do Conselho Empresarial Brasil-Ágélia.
De acordo com Atallah, este conselho terá como objetivo identificar as demandas das empresas argelinas e brasileiras e as oportunidades de negócios nos dois países. O órgão, então, terá a responsabilidade de encaminhar estas informações "para quem decide".
Além dos setores de alimentos e agronegócio, vão participar da feira empresas brasileiras dos segmentos de autopeças, utensílios em vidro, calçados infantis, ventiladores e exaustores, plásticos, máquinas para confeitaria, além da trading SAB. Elas vão ocupar um espaço de 100 metros quadrados.
Segundo informações da agência de notícias Algérie Presse Service, 32 países vão participar do evento, que se estenderá até o dia 10. Das Américas, além do Brasil, estarão presentes expositores dos Estados Unidos, Canadá e Argentina. Além disso, 51 empresas internacionais vão ter estandes próprios.

