Alexandre Rocha
São Paulo – A Feira Internacional de Argel terminou nesta quinta-feira (10) e representantes de várias empresas brasileiras voltam para casa com pedidos fechados na bagagem. A Randon, fabricante gaúcha de reboques e semi-reboques, por exemplo, recebeu encomendas de três modelos de carretas que somam US$ 1,8 milhão. De acordo com Moacir José Zanini, representante da empresa que está na Argélia, a companhia poderá fechar ainda a venda de 300 "caixas frigoríficas" para caminhões de pequeno porte.
A Randon negocia também, com empresas locais, a exportação de cerca de mil carretas e mais 500 unidades de outros implementos rodoviários em kits CKD (completely knocked down). O negócio, que pode chegar a US$ 25 milhões, envolve a instalação de uma linha de montagem na Argélia. Com isso, a fábrica espera economizar com o valor do frete e não sofrer com sobretaxas impostas aos produtos, já que eles seriam montados em solo argelino.
Já a trading paranaense Double Port fechou até a quarta-feira (09) vendas no valor de US$ 150 mil de produtos alimentícios como sucos, achocolatados, gelatinas, flans e mistura para bolos. Mas o sócio da empresa que esteve Argel, Reyadh Nassir Hanna, disse que outros negócios poderiam ser concluídos como resultado da feira. Ele ainda esperava bater o martelo na venda de mais três contêineres de suco no valor de US$ 100 mil e numa encomenda de chá pronto para beber (ice tea), algo entre US$ 12 mil e US$ 13 mil.
"Nós estamos introduzindo o ice tea na Argélia, eles não têm isso por aqui", disse Hanna por telefone à ANBA. A Double Port está de olho ainda num contrato para a exportação de madeira que pode render mais de US$ 500 mil. "Dá para fazer muitos bons negócios na Argélia", garantiu o empresário.
A Tigre, fabricante de tubos e conexões, também participou da feira. A empresa já tem um representante local, a Safer Tabi & Freres. "Viemos à feira com a intenção de tornar a marca mais conhecida e para dar apoio ao nosso distribuidor", disse Daniel Kley, operador internacional da companhia, que também esteve em Argel.
Outras empresas que fecharam negócios foram a Nogueira Máquinas Agrícolas, que recebeu pedidos no valor de US$ 75 mil; e a Sermáquinas Industriais, fabricante de equipamentos para confeitaria, que começou a fechar contratos desde o primeiro dia do evento e, até quarta-feira, já havia recebido encomendas de US$ 700 mil.
Além destas, a Serra Morena, do setor de alimentos, recebeu pedidos de sucos no valor de US$ 200 mil; e o Frigorífico Minerva fechou acordos para exportar US$ 1,4 milhão em carne bovina.
Apelo
"O Brasil tem um apelo muito forte aqui na Argélia. E esse interesse gerou uma demanda, não só pelas mercadorias expostas na feira, mas pela cultura brasileira e por outros produtos do país", afirmou Daniel Kley, da Tigre.
No dia 2, abertura do evento, o estande brasileiro, organizado pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB) e pelo Itamaraty, foi visitado pelo presidente da Argélia, Abdelaziz Bouteflika, o que ajudou a aumentar o interesse pelos produtos do Brasil. A participação brasileira na feira rendeu até uma reportagem de meia página no diário argelino La Tribune. Bouteflika deverá visitar o Brasil no segundo semestre deste ano.

