Marina Sarruf
São Paulo – Nove empresas brasileiras participam da Feira Internacional de Damasco, que começa neste sábado (03) na capital da Síria. Elas integram o estande organizado pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB), que estará na mostra pela oitava vez. A feira, que termina no dia 12 de setembro, é uma das mais tradicionais no calendário de mostras internacionais das quais a entidade participa.
Motivadas pelos resultados, empresas como a trading carioca Global Guiders estão participando da feira na Síria pelo segundo ano consecutivo. De acordo com o presidente da CCAB, Antonio Sarkis Jr., a feira tem trazido bons resultados para as empresas brasileiras que expõem seus produtos. "O comércio entre o Brasil e a Síria tem crescido bastante e se fortificado também, principalmente pelos trabalhos que a CCAB vem fazendo, como a participação na feira de Damasco", afirmou o presidente.
Em 2004, as exportações do Brasil para a Síria renderam US$ 161,4 milhões, ou 142% a mais do que no ano anterior. De janeiro a julho deste ano as vendas externas para o país árabe já somam US$ 85,77 milhões. No ano passado, a corrente comercial entre os dois países foi US$ 166,6 milhões.
Das nove empresas brasileiras participantes, cinco serão representadas pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Negócios de Turismo de São José do Rio Preto, município localizado no interior de São Paulo. As empresas são a Doces Cossari, a Fábrica de Doces São Rafael, a Bionatus, fabricante de produtos fitoterápicos, a Ambar Leather, do setor de couros, e a Refrigerantes Poty.
"Participar de feiras é o caminho mais curto e fácil para uma empresa entrar no mercado árabe", disse Sarkis. Ele afirmou ainda que as empresas que participam das mostras em conjunto com a CCAB, além de contar com o suporte da entidade, têm um custo de participação atraente.
De acordo com o secretário-geral da CCAB, Michel Alaby, a feira de Damasco também abre portas para as empresas brasileiras entrarem na Jordânia. Além da Jordância ser vizinha da Síria, os dois países têm um acordo de livre trânsito de mercadoria.
A maioria das empresas brasileira que vão participar da feira ainda não exporta para o mercado árabe. A Soprano, por exemplo, fabricante gaúcha de ferragens e equipamentos hidráulicos pretende desenvolver parcerias de longo prazo no mundo árabe. Já a fabricante de cosméticos de Goiás, a Franchel, tem interesse de formar uma joint-venture para produzir seus produtos no país árabe.
Outra participante é a paranaense Clarim, produtora de chás orgânicos. O sócio-diretor da empresa, Rodrigo Andreoli, acredita que os chás brasileiros farão sucesso na Síria, já que os árabes são grandes consumidores do produto.
A Global Guiders trabalha exclusivamente para o mercado árabe. Nesta edição, ela pretende levar aos importadores locais couro, café verde, guaraná natural, soja, palmito, frango e leite de rosas. Além disso, a trading está assessorando a empresa portuguesa Axentel num projeto de construção de uma usina de açúcar e álcool no Brasil. Para isso, a Global Guiders também participa da feira com o objetivo de achar clientes para a usina.
A Feira internacional de Damasco é o maior evento multissetorial no país árabe. São esperados 4,5 mil expositores, dos quais 55% estrangeiros. Na edição passada a feira contou com 55 países. O estande brasileiro terá 100 metros quadrados e contará com a presença de dois diretores da CCAB e a gerente de marketing para auxiliar os empresários brasileiros.
Síria
A Síria está localizada no Oriente Médio e faz fronteira com Iraque, Líbano e Turquia. A agricultura responde por 25% do Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 22 bilhões do país. Entre os produtos agrícolas produzidos pelo país estão o trigo, algodão, cevada, beterraba, azeitonas, pistache e lentilhas. Apesar da importância do setor, o país depende da importação de máquinas e equipamentos agrícolas e sementes.
Os sírios também são grandes importadores de matérias-primas para a indústria de cosméticos e de perfumaria e de equipamentos têxteis, mesmo sendo responsáveis por 7% da produção mundial de algodão bruto e possuindo uma forte indústria têxtil.
Os principais itens vendidos pelo Brasil para a região são produtos básicos como açúcar, café e soja. No entanto, produtos de maior valor agregado como automóveis e tratores também já aparecem entre os dez primeiros.
O país árabe exportou o equivalente a US$ 5,2 milhões no ano passado ao Brasil, uma queda de 53,5% comparado ao ano anterior. Porém, já nos sete primeiros meses deste ano as importações de produtos sírios feitos pelo Brasil somaram US$ 43,71 milhões. Os principais produtos comprados são naftas para petroquímica.

