Isaura Daniel
São Paulo – A Ferrucci, fabricante de calçados femininos com sede em Jaú, interior de São Paulo, pretende dobrar ou até triplicar as suas exportações para os Emirados Árabes Unidos em 2005. No ano passado, a empresa vendeu cerca de 10 mil pares de calçados para uma rede de lojas do país árabe chamada Shoe Mart. "Devemos duplicar ou triplicar as exportações para os Emirados este ano", diz o gerente de exportações da companhia, Marcelo Sobrinho.
De acordo com Sobrinho, em conversas tidas com representantes da Shoe Mart, eles sinalizaram disposição de aumentar as importações de calçados da fábrica paulista este ano.
A Shoe Mart é uma rede de varejo do grupo Landmark que tem extensa atuação na região do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG). De acordo com informações do site da companhia, a rede Shoe Mart é composta por cerca de cem lojas nos Emirados, Arábia Saudita, Kuwait, Bahrein, Omã e Catar, além de sete unidades na Índia. No total, o grupo possui cerca de 300 lojas que incluem, além da Shoe Mart, lojas de artigos para crianças, móveis e decoração, acessórios femininos, cosméticos, confecções para adultos, estética e alimentos, entre outros.
Além de estender o relacionamento com a Shoe Mart, a Ferrucci pretende também buscar novos clientes na região em 2005. "Nosso objetivo é expandir o mercado nos países árabes, temos interesse em ter um representante comercial lá", afirma Sobrinho.
No ano passado, a empresa chegou a enviar um pedido teste para uma rede de lojas de Omã, a Al-Khamis, a partir de contatos feitos durante a Couromoda e a Francal, feiras internacionais de lançamento de calçados que ocorrem no início e metade do ano, respectivamente, em São Paulo. A Ferrucci está esperando a visita dos importadores do Catar à fábrica de Jaú, ainda este ano, para discutir a continuidade dos negócios.
A Ferrucci fabrica em torno de 3.200 pares de calçados por dia na sua fábrica de 20 mil metros quadrados. No ano passado, 35% da produção foi exportada. A empresa vende para mais de 20 países. Os principais compradores estão na Inglaterra, Portugal, Espanha e Estados Unidos. Nos três primeiros países, e também na Grécia, a empresa mantém um representante comercial.
Os Emirados, que compram da Ferrucci há cerca de dois anos, estão entre a sétima e a oitava colocação como importadores dos calçados da companhia, de acordo com Sobrinho. Os produtos adquiridos pelos árabes são os modelos mais básicos. Os calçados fabricados pela Ferrucci são de cabedal (parte dianteira) em couro. O solado e a palmilha, porém, são fabricados em sintético.
Dólar ameaçador
Assim como a maioria das empresas de calçados brasileiras, porém, a Ferrucci reduziu a produção no início deste ano em função da desvalorização do dólar, que tornou menos vantajosas as exportações. Até o ano passado, a produção era de 4 mil pares ao dia. A redução foi de 800 pares ao dia. Em função disso também foram feitas demissões de funcionários.
A Ferrucci é uma empresa familiar e foi fundada em 1943. A empresa começou as suas atividades com produção de cerca de 300 pares de sapatos infantis ao dia. Na década de 70, a empresa se voltou para os calçados femininos e dez anos depois começou a exportar.

