Isaura Daniel
São Paulo – Os vestidos brasileiros estão fazendo sucesso entre as mulheres árabes. As indústrias de confecções e os estilistas nacionais exportaram, nos dois primeiros meses deste ano, um volume 800% maior de vestidos para as nações da Liga Árabe em relação ao mesmo período do ano passado. Foram vendidas 29,2 mil peças, uma quantidade significativa se comparada aos 39 mil vestidos exportados durante todo o ano passado. Em janeiro e fevereiro de 2004 foram embarcadas apenas 3,2 mil unidades.
De acordo com o secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB), Michel Alaby, boa parte das peças exportadas são vestidos de noiva e de luxo, fabricados por estilistas. Na lista dos brasileiros que vestem as mulheres árabes estão estilistas como Amarilis Fernandes, Walter Rodrigues e Lino Villaventura.
Apesar de terem sido comercializados vestidos de US$ 830, o preço médio das peças vendidas em janeiro e fevereiro foi de US$ 161. O valor subiu 794% em relação ao ano passado, o que significa que o Brasil está vendendo roupas mais sofisticadas para os árabes. No ano passado, o preço médio estava em US$ 18. Segundo Alaby, as roupas fabricadas por estilistas brasileiros são mais competitivas se comparadas às dos estilistas europeus.
O secretário-geral acredita que as exportações de vestidos femininos têm, inclusive, potencial para crescer ainda mais. "As mulheres árabes gostam de se embelezar para as reuniões de família e festas", diz. Mesmo as de religião islâmica, que na rua andam cobertas por grandes vestes, costumam estar bem vestidas em casa. "As mulheres muçulmanas usam essas roupas por baixo das vestes e as mostram na intimidade. Diferente das brasileiras, elas se vestem para o marido", diz a professora de antropologia do curso de Moda da Universidade Anhembi Morumbi, Márcia Merlo.
Brilhos e cores fortes, tudo o que os vestidos de luxo costumam ter, são muito apreciados pelo público feminino árabe. As árabes são conhecidas pelo uso de jóias e maquiagem. A estilista Amarilis Fernandes, por exemplo, criou uma linha de vestidos luxuosos, a "Amarilis Culture", depois que passou a exportar para as árabes. A maioria das peças vendidas pela grife para a região são vestidos longos, com bordados, decotes e em cores fortes como o rosa e o vermelho.
O estilista Walter Rodrigues vende apenas vestidos para região. As peças são encontradas em lojas de grifes como Harvey Nichols, na Arábia Saudita, e a Villa Moda, no Kuwait e nos Emirados Árabes Unidos. Esses estabelecimentos oferecem produtos de marcas famosas como Prada, Yves Saint Laurent e Gucci.
Algodão
Os vestidos exportados pelo Brasil aos países árabes vão desde os de algodão e malhas até os de fibras sintéticas. Apesar de que a venda de vestidos de luxo sustenta a maior parte da receita, também foram exportados para a região, nos dois primeiros meses deste ano, vestidos de malha de algodão por cerca de US$ 3 a unidade. Alaby acredita que esses vestidos mais baratos são comprados por estrangeiros que moram nos países árabes, como os paquistaneses.
A receita com as vendas de vestidos do Brasil para os países árabes em janeiro e fevereiro foi de US$ 279 mil contra US$ 111 mil do mesmo período de 2004. No ano passado inteiro, o faturamento ficou em US$ 712,8 mil. O secretário-geral da CCAB acredita que os maiores clientes dos vestidos nacionais, entre os árabes, estão no Kuwait e Emirados Árabes Unidos. Os demais países, porém, também compram o produto. As peças mais caras enviadas nos dois primeiros meses deste ano para o mundo árabe tiveram como destino Arábia Saudita, Emirados e Líbano.

