São Paulo – De 18 a 31 de março, ocorre o 6º Festival Sul-Americano de Cultura Árabe em 27 cidades do Brasil e do exterior. O evento é organizado pela Biblioteca e Centro de Pesquisa América do Sul-Países Árabes (Bibliaspa) e toda sua programação é gratuita.
Entre as cidades estão capitais como São Paulo, São Luís, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Brasília, Curitiba, Florianópolis e Fortaleza, além de municípios como Diadema, Santos, Campinas, Santo André, Franco da Rocha e São Bernardo do Campo, todos no estado de São Paulo, Foz do Iguaçu (PR) e Olinda (PE). No exterior, haverá atividades em Buenos Aires (Argentina), Túnis (Tunísia) e Beirute (Líbano).
“O evento tem um caráter bem abrangente do ponto de vista espacial (número de cidades). Isso é resultado da consolidação do festival, que este ano traz mais de 200 ações”, apontou Paulo Daniel Farah, diretor da Bibliaspa. Em 2014, o festival aconteceu em 17 cidades.
As atividades do festival incluem mais de 15 exposições, além de palestras, debates, colóquios, narração de histórias, mesa-redonda, mediação de leitura, mostra de cinema, oficinas, publicações e intervenções.
Como destaques do festival, Farah ressalta as palestras sobre sítios arqueológicos, inspiradas pelos recentes atos de destruição de obras históricas promovidos por membros do Estado Islâmico, grupo extremista que atua no Oriente Médio.
Segundo o diretor da Bibliaspa, a palestra O que aconteceu nos sítios arqueológicos da Síria e do Iraque nos últimos anos “explica a importância desses sítios arqueológicos e a relevância de reverter esse processo [de destruição]”. Já a palestra Como proteger sítios arqueológicos em situação de guerra aborda “o que pode ser feito para evitar que a catástrofe seja ainda maior”.
Na lista das principais atrações do festival estão três exposições sobre os Emirados Árabes Unidos: A Casa Costeira dos Emirados Árabes Unidos, Vida dos Povos do Deserto e Cultura e identidade dos Emirados. As três mostras ocorrem simultaneamente no Museu da Imigração, em São Paulo, de 12 a 26 de março.
“As exposições mostram as características culturais dos Emirados, como a cultura social do litoral, onde há um grande conhecimento náutico, e do deserto. Mostra também a importância da pérola, especialmente no passado, para a economia local”, comentou Farah, acrescentando que serão exibidos quadros de artistas do país do Golfo. Algumas destas obras e também fotos e objetos vindos dos Emirados serão expostos também no Museu de Santos e na própria Bibliaspa, em São Paulo.
As exposições estão sendo realizadas graças a uma parceria formada pela Bibliaspa com a Autoridade de Turismo e Cultura de Abu Dhabi e o consulado dos Emirados Árabes Unidos na capital paulista.
Oficinas
O festival terá uma série de oficinas com temas como aquarela, gastronomia e caligrafia. Já a mostra de cinema será realizada em mais de 20 locais. Outras exposições trazem ainda obras de artistas do Líbano, Síria, Palestina, Iraque e Tunísia.
“O festival contribui para mostrar que a absoluta maioria dos árabes tem um apreço pela cultura e pela educação que não corresponde ao que tem sido mostrado em situações com a da destruição dos sítios arqueológicos”, comentou Farah sobre a importância do evento.
“Ele mostra também que há uma proximidade entre árabes e sul-americanos, que não há um distanciamento e um estranhamento entre essas culturas. O festival mostra que há proximidade entre a América do Sul e os países árabes e reforça seus laços culturais”, destacou.
Em Túnis, haverá um concerto de música brasileira e árabe, realizado em parceria por um músico brasileiro e músicos tunisianos. Já em Beirute haverá palestra e debate sobre a cooperação entre os países árabes e sul-americanos.
Línguas
Farah ressaltou a importância dos idiomas árabe, português e espanhol no festival e na integração entre os povos dos países árabes e sul-americanos. Durante a programação, oito palestras e aulas experimentais abordarão a estes idiomas.
O diretor da Bibliaspa ressaltou que o centro oferece aulas de árabe há dez anos e há dois dá aulas de português para refugiados. Agora, a instituição está abrindo novas turmas devido ao aumento da procura pelo curso de português.
“Tem aumentado muito a demanda por causa do número de refugiados que cresce a cada ano. É um fluxo cada vez maior, especialmente na cidade de São Paulo”, apontou. Além de ministrar aulas gratuitas aos refugiados, a Bibliaspa oferece assistência para a colocação deles no mercado de trabalho e atividades para as crianças. O centro fornece o material didático e alimentação para os estudantes.
De acordo com Farah, entre os refugiados árabes que buscam as aulas, a maioria vem da Síria, Iraque e Palestina, mas a Bibliaspa atende também pessoas vindas da Nigéria, Congo, Mali, Senegal, Gana, Haiti, Bolívia e Peru.
Novidade no ensino de idiomas na Bibliaspa são as aulas de espanhol, que estão com as inscrições abertas e começam no dia 28 de março. “Entendemos que era importante promover todas as línguas faladas nos países da América do Sul e do mundo árabe”, explicou Farah. As aulas de espanhol não são gratuitas.
Serviço
6º Festival Sul-Americano de Cultura Árabe (Saca)
De 18 a 31 de março em 27 cidades do Brasil e do exterior
A programação completa está disponível no link http://migre.me/oYOhn
Mais informações sobre o festival e sobre os cursos de línguas oferecidos pela Bibliaspa podem ser obtidas pelo telefone (11) 99609-3188.


