São Paulo – Ao longo deste mês, os cinéfilos de São Paulo vão ter uma amostra do que há de mais recente na produção cinematográfica do Oriente Médio e Norte da África. A 5ª Mostra Mundo Árabe de Cinema, uma iniciativa do Instituto da Cultura Árabe (Icarabe), traz 14 filmes contemporâneos, incluindo cinco documentários, todos inéditos na capital paulista. Segundo a diretora cultural do instituto e do festival, Soraya Ismaili, a seleção aborda principalmente dois temas: a migração e o universo feminino.
Os filmes, de acordo com ela, tratam de questões universais. A migração, seja ela forçada, por escolha, ou necessidade, por exemplo, é um tema atual em diferentes regiões, inclusive na América Latina, que esta semana assistiu ao massacre de 72 imigrantes que tentavam chegar aos Estados Unidos por narcotraficantes mexicanos. Na semana passada, o repatriamento de ciganos romenos pelas autoridades francesas foi também notícia ao redor do mundo.
Nessa seara, ela destaca a fita Harragas, do argelino Merzak Allouache, sobre jovens argelinos que tentam chegar à Europa. O filme foi premiado no Festival Internacional de Cinema de Dubai no ano passado. Destaque também para Porta da Web, do mesmo diretor, que vai abrir o festival nesta quinta-feira (02) à noite, no CineSesc; e América, sobre uma palestina divorciada que muda com seu filho para os Estados Unidos. Todos os filmes são legendados.
Sob a outra temática, o festival procura mostrar questões relativas à mulher no mundo árabe, incluindo a sensualidade e a relação entre o novo e o tradicional. “As sociedades árabes também estão em transformação permanente”, afirmou Soraya. A emancipação da mulher, em sua avaliação, é também um tema universal.
Nessa área, destaque para os filmes Dunia, da franco libanesa Jocelyn Saab, e Sherazade, conte-me uma história, do egípcio Yousry Nasrallah, considerado sucessor de Youssef Chahine, famoso cineasta árabe morto em 2008. Dunia, de acordo com Soraya, “trata da questão da mulher de maneira intensa e muito profunda”.
Mas a parte feminina do festival não mostra somente filmes sobre mulheres, mas filmes feitos por mulheres, como os documentários Câmeras Abertas, da iraquiana Maysoon Pachachi, e Ponto de Encontro, que tem a brasileira Júlia Bacha como codiretora.
A programação para o público começa na sexta-feira (03) e as exibições vão ocorrer em sete cinemas, ante quatro na edição do ano passado. São eles: CineSesc, Galeria Olido, Centro Cultural São Paulo, Centro Cultural de Juventude Ruth Cardoso, Cinemulher, Esporte Clube Sírio e Clube Atlético Monte Líbano.
A programação segue até o dia 29 e durante a mostra vão ocorrer ainda dois debates, um sobre filmagens no Oriente Médio e outro sobre a mulher no mundo árabe.
A organização é uma parceria do Icarabe com o Serviço Social do Comércio (Sesc-SP), a Prefeitura de São Paulo e a Casa Árabe de Espanha. Além de Soraya, a direção cultural ficou a cargo de Karim Hauser Askalani, da entidade espanhola. A Câmara de Comércio Árabe Brasileira é uma das patrocinadoras do evento.

