São Paulo – O 27º Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo começa nesta quarta-feira (24), na capital paulista, com quatro filmes de países árabes participando da parte internacional. No total, 400 filmes serão exibidos no festival como um todo, divididos em quatro mostras principais: Internacional, Latino-Americana, Programas Brasileiros e Programas Especiais. As produções podem ser vistas gratuitamente em sete salas de cinema de São Paulo.
Do mundo árabe serão exibidos “9 Dias – Da Minha Janela em Aleppo”, uma produção holandesa e síria de Floor van der Meulen, Thomas Vroege e Issa Touma. O filme é um documentário no qual o fotógrafo sírio Issa Touma filma da sua janela os primeiros dias do levante que se instalou em Aleppo, na atual guerra da Síria.
O produtor do documentário, Jos de Putter, estará no Brasil para o festival e fará a apresentação do documentário em suas duas exibições, na quinta-feira (25) às 21h30 no CineSesc e na sexta-feira (26), às 15h, no Espaço Itaú de Cinema.
O outro filme árabe a ser exibido é Amal, da diretora Aïda Senna, do Marrocos. O curta metragem conta a história de Amal, que está prestes a se casar depois de ter sido estuprada e não tem outra saída senão ficar em silêncio. Tema parecido, mas de abuso infantil e homossexualidade, tem o filme do Catar e do Egito “Mais de dois dias”, de Ahmed Abdelnaser. “O que é abordado é que a pessoa não pode falar”, afirma a responsável pela Mostra Internacional, Anne Frysman, sobre o que há em comum nas duas produções. O produtor de "Mais de dois dias", Amjad Abu Alala, veio para o festival e ficará no Brasil até o dia 01 de setembro.
O curta “Fathy não mora mais aqui” vem do Egito e tem direção e Maged Nader. Nele, um jovem preso a uma rotina se vê em novas circunstâncias a depois que se depara com um frasco de xampu com uma imagem de Bibi Anderson e Liv Ullman do filme sueco Persona. Frysman chama o filme de precioso e afirma que ele é o mais clássico entre os árabes que participam. Ela ressalta, porém, que as produções árabes da mostra são bem diferentes entre si.
Para participar, os filmes foram inscritos por seus responsáveis e depois selecionados. No caso da Mostra Internacional foram 2.700 inscrições e os escolhidos são de 41 países. Frysman conta que sempre há curtas árabes participando, mas que ela percebe uma mudança no cinema da região. Países do Maghreb e o Egito têm tradição no cinema, mas ela vê chegando produções de outros países, como o Catar. “Sinto isso há alguns anos, antes não chegava nada do Catar”, afirma, lembrando festivais que ocorrem no Golfo e que incentivam a área. “Estão aparecendo esses outros países com certa força”, diz.
O festival acontece até o dia 04 de setembro e é dirigido por Zita Carvalhosa. A organização é da Associação Cultural Kinoforum, com apoio do Ministério da Cultura e patrocínio da Petrobras. Os curtas metragens serão exibidos no Museu da Imagem e do Som (MIS), CineSesc, Cinemateca Brasileira, Espaço Itaú Augusta, Unibes Cultural, Cinusp, Centro Cultural São Paulo, além de em cinco unidades dos Centros de Artes e Esportes Unificados (CEUs) em Aricanduva, Butantã, Caminho do Mar, Paz e São Rafael. O tema central é “O Estado do Mundo”.
O festival não tem premiação principal ou para cada categoria, mas há alguns reconhecimentos como o Prêmio Sesc TV voltado a filmes de diretores estreantes, o Troféu Melhor Animação da Associação Brasileira de Cinema de Animação (ABCA), entre outros. O público também escolhe seus dez favoritos do Brasil e seus dez preferidos da mostra Internacional e Latino-Americana. Também há atividades paralelas como uma instalação audiovisual, debates e workshops. Veja programação completa no link abaixo.
Serviço:
27º Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo
De 24 de agosto a 04 de setembro
Em São Paulo (sete salas de cinema)
Mais informações: www.kinoforum.org/curtas ou www.facebook.com/kinoforum


