São Paulo – Incerteza política, situação fiscal “adversa” e uma recessão profunda foram alguns dos motivos que levaram a agência de classificação de riscos Fitch Ratings a rebaixar, nesta quarta-feira (16), a nota de classificação do Brasil e tirar o grau de investimento do País. A Fitch é a segunda, das três grandes agências do setor, a tirar o selo de bom pagador do Brasil. A Standard & Poor’s já o fez em setembro e a Moody’s afirmou que irá revisar a nota do País no começo de 2016.
Em sua avaliação sobre a situação econômica do Brasil, a Fitch citou o turbulento cenário político, a retração de 3,7% do Produto Interno Bruto (PIB) entre o terceiro trimestre de 2014 e o de 2015 e o “difícil” ambiente externo para o País, com queda nos preços das commodities e desaceleração da economia chinesa. A instituição prevê queda do PIB de 3,7% neste ano e de 2,5% no próximo.
“O rebaixamento do Brasil reflete a recessão mais profunda do que o previsto anteriormente, contínuos desenvolvimentos fiscais adversos e aumento na incerteza política que poderá minar a capacidade do governo em implantar efetivamente as medidas fiscais para estabilizar o crescimento da dívida”, afirmou a Fitch.
O rebaixamento da nota brasileira pela segunda agência de classificação pode reduzir a entrada de dólares no mercado financeiro. Isso ocorre porque há fundos de investimento que só podem fazer aportes em países que tenham grau de investimento concedido por, pelo menos, duas das três grandes agências do setor. O Brasil, agora, só tem essa classificação na avaliação da Moody’s. Na escala da Fitch, a nota brasileira era BBB-. Agora, é BB+. Além do rebaixamento, a nota brasileira foi colocada em perspectiva negativa, ou seja, pode ser rebaixada novamente.
Segundo informações da consultoria CMA, às 13h25 o dólar era cotado em alta de 1,83%, a R$ 3,94. O principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) operava em queda de 0,43%, a 44.677 pontos.
Em nota, o Ministério da Fazenda afirmou que reitera a confiança na capacidade da economia brasileira em retomar o crescimento. “Apesar dos indicadores de curto prazo e da incerteza atual, a economia brasileira tem fundamentos positivos e sólidos”, afirma o documento. Na mesma nota, o Ministério afirma que está, junto com o governo federal, engajado em atacar os desequilíbrios fiscais existentes.


