Geovana Pagel
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São Paulo – Vinte artesãs integram o grupo Flor do Cerrado, criado em 1999 como projeto social em Samambaia, cidade-satélite de Brasília. Coordenadas pela empresária Rose Mendes, elas produzem peças de decoração e, mais recentemente, de moda. Cortinas, painéis, bolsas, estolas, blusas, saias e outras novidades são feitas com folhas do cerrado, sisal e crochê. As peças fazem o maior sucesso no Brasil e no exterior. Entre os importadores há lojistas dos Estados Unidos, Itália, França, Espanha e Nova Zelândia.
A conquista de clientes no exterior é importante, mas segundo Rose “o melhor de tudo é estar trabalhando em equipe e gerando renda para as mulheres da nossa comunidade e garantindo o respeito à natureza”. Uma das preocupações do grupo é com a obtenção da matéria-prima para os produtos. Elas fazem questão de coletar as folhas caídas no chão do cerrado para evitar devastação e o esgotamento das plantas. “Não somos extrativistas. A gente só colhe o que precisa”, enfatiza Rose. As folhas utilizadas pelas artesãs são de várias espécies, como a folha moeda, palha, pata-de-vaca, de abacate, de castanheira entre outras.
Hoje, a Flor do Cerrado virou empresa e marca registrada. A produção mensal é de cerca de 3 mil peças. A confecção é setorizada e as integrantes do grupo são dividas de acordo com os tipos de técnicas e tarefas, tais como o crochê, bolsas, borboletas, estolas, painéis, etc. Todas trabalham em suas casas e somente a finalização é feita na casa de Rose. Tanta organização e cuidado no processo produtivo renderam ao grupo o convite para buscar a certificação do Comércio Justo pelo Sebrae. “Estamos muito empolgadas porque isso vai agregar ainda mais valor ao nosso produto”, diz Rose.
O grupo trabalha com o processo de esqueletização das folhas. Para isso, as folhas são cozidas em um caldeirão sobre as chamas de um fogão à lenha por 18 horas. “Essa técnica foi resultado de muitos anos de erros e acertos”, conta Rose. Outras formas de acabamento e design foram aprendidas com os técnicos do Sebrae.
O grande sonho das artesãs da Flor do Cerrado é adquirir um terreno na região do Gama, cidade vizinha, onde possam replantar as espécies de que necessitam para confeccionar o artesanato. Futuramente, nesse mesmo terreno, elas também pretendem estabelecer a sede do grupo, as oficinas, salas de aula, serviços de assistência médica, entre outros. “Queremos continuar crescendo, produzindo nossos produtos com qualidade, muito respeito ao meio ambiente e envolvendo mais pessoas da comunidade”, afirma a artesã.
Empreendedora
Rose é florista há vinte anos. Começou expondo seus arranjos florais na feira da Torre de Televisão, em Brasília, nos fins de semana. A feira da Torre é o mais antigo local de exposição de artesanato da capital federal. Após participar dos cursos do Sebrae, diz que compreendeu que era uma empreendedora. “Por isso estava sempre querendo aprender mais, renovar meus produtos, não me satisfazia nunca em ficar fazendo as mesmas coisas”, explica. Tudo que ia aprendendo foi sendo repassado às suas companheiras no grupo. “Adoro ensinar”, revela.
Na África
O interesse da Organização Internacional do Trabalho (OIT) pelo Projeto de Empreendedorismo Social do Sebrae-DF levou Rose à África em agosto de 2007. Ela passou quatro meses ensinando suas técnicas de artesanato em aldeias e ilhas africanas. “O trabalho desenvolvido pelo grupo Flor do Cerrado foi escolhido como modelo e eu tive a oportunidade de levar minha experiência para as comunidades muito pobres. Sem dúvida aprendi muito mais do que ensinei”, conta.
Contato
Flor do Cerrado
Telefone: +55 (61) 3358-5184
Site: www.flordocerrado.net

