Geovana Pagel
São Paulo – A vida de 21 mulheres pobres do sertão da Paraíba começou a ser transformada há seis anos. Inconformadas com a miséria e a fome que castigavam suas famílias, descobriram uma arma poderosa para vencer a falta de oportunidades: plantar flores. Com muita determinação e trabalho as moradoras do município de Pilões, distante cerca de 130 quilômetros da capital João Pessoa, conseguiram fundar a primeira Cooperativa de Floricultores do Estado da Paraíba (Cofep).
De acordo com a presidente da Cofep, Maria Helena Lourenço dos Santos, foram três anos para conquistar o tão sonhado empréstimo para montar as estufas para o plantio de crisântemos. "Levamos nosso projeto para vários bancos. Mas como não tínhamos nada para apresentar como garantia, ninguém nos dava crédito", conta.
Enquanto aguardavam quem apoiasse a iniciativa, participaram de cursos de cooperativismo no Sistema Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae) e de treinamentos para o cultivo das flores. O empréstimo só saiu em 2002, graças ao projeto Cooperar, uma parceria entre o Banco Mundial e o governo do estado da Paraíba. A contra partida foi a mão-de-obra das cooperadas. "Trabalhamos dez meses na construção dos canteiros e das estufas sem ganhar nada. O dinheiro, cerca de R$ 75 mil, foi todo investido na infra-estrutura e nas mudas", lembra Maria Helena.
Para completar o quadro de dificuldades, as mulheres tiveram que enfrentar o descontentamento de maridos e filhos, que reclamavam da ausência e da falta de retorno financeiro. "Ninguém acreditava que um grupo formado apenas por mulheres simples como nós teria sucesso. O que nos salvou foi a união e a determinação na conquista deste sonho", avalia.
Hoje, a produção de flores rende, para cada produtora, entre um e dois salários mínimos por mês. Ao todo são produzidos cerca de 600 pacotes de flores por semana, em 9 estufas de madeira e 9 estufas metálicas, que acabaram de ser construídas com recursos do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf Mulher), liberado pelo Banco do Brasil no final do ano passado.
Além do mercado paraibano, elas atendem compradores de Pernambuco. "Só existe pobreza quando não há coragem. Do céu só cai a chuva", afirma Maria Helena.
Prêmios
A história de sucesso das floricultoras paraibanas já rendeu dois prêmios. O Prêmio Sebrae Mulher Empreendedora da Região Nordeste foi entregue à Karla Paiva Rocha, tesoureira da cooperativa, no dia 8 de março, em Brasília. Karla viajou para Suíça para conhecer novidades da floricultura e empreendedores suíços.
Já no dia 23 de junho, a cooperativa faturou o primeiro lugar do 3º Prêmio Experiências Sociais Inovadoras, no evento Voz Mulher – Encontro Nordeste de Experiências Sociais Inovadoras, em Recife. O prêmio é concedido pelo Banco Mundial, com apoio da Rede Global de Aprendizagem para o Desenvolvimento (GDLN), que é um fundo norueguês/ holandês de apoio à inclusão de atividades de gênero nas operações do Banco Mundial.
Outros parceiros da premiação são o Fundo de Apoio a Pequenos Projetos, o Banco do Nordeste, o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.
Cerca de 100 projetos foram inscritos no prêmio e passaram por uma triagem para selecionar 27 (três de cada estado do Nordeste). Desses, quatro foram selecionados como os melhores em toda a região. "É uma satisfação saber que nossa história serve de exemplo e é premiada por isso", destacou Maria Helena.
O prêmio de US$ 3 mil será usado na construção de um escritório-sede para a cooperativa. O espaço terá uma sala de aula que será utilizada para desenvolver um projeto de inclusão digital dentro do Programa Sebrae Solidário. Os filhos das cooperadas terão aulas de informática. A sala também será utilizada para cursos de culinária, palestras sobre educação sexual e higiene.
Logomarca
Com apoio do Sebrae, que oferece assistência na parte de logomarca e design de embalagens, elas desenvolveram a logomarca Flores de Pilões, que já foi divulgada em duas feiras que as floricultoras participaram: A Fiaflora ExpoGarden, em Brasília, em maio, e a feira Hortitec, em Holambra (SP), no mês de junho.
Ainda este ano, por meio da Fundação Banco do Brasil, as cooperadas da Cofep devem receber um carro apropriado, com ar-condicionado, para realizar as entregas de flores na região. "Nossa meta é crescer cada vez mais a produção e ampliar para o plantio de rosas e folhagens fora das estufas", garante Maria Helena.
Contato
Cooperativa de Floricultores do Estado da Paraíba (Cofep)
Telefone: +55 (83) 3362-2880

