Geovana Pagel
São Paulo – A pequena cidade baiana de Maracás, com pouco mais de 31 mil habitantes, vivia um problema comum a muitas cidades brasileiras: o desemprego e a fome. Porém, a prefeitura encontrou na floricultura uma alternativa viável ao clima e ao solo da região semi-árida. Hoje, a cultura de flores gera ocupação e renda para mais de 200 famílias carentes do município. Entre rosas, palmas-de-santa-rita, gérberas, crisântemos, margaridas e cravos, todos os meses são colhidas cerca de 60 mil unidades.
Desde que o Programa Desenvolvimento da Floricultura foi criado, em 1997, a prefeitura de Maracás tem acumulado diversos prêmios e conquistado destaque internacional. Em 2000, Maracás foi um dos 100 finalistas do Prêmio Dubai das Melhores Práticas em Desenvolvimento Local, selecionado entre 530 inscritos de todo o mundo. O prêmio é concedido pela municipalidade de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, em parceria com o Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (UN-Habitat).
Entre as demais premiações do projeto de floricultura, destaque para o Prêmio Prefeito Empreendedor, concedido pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Prêmio Melhores Práticas da Caixa, organizado pela Caixa Econômica Federal; Prêmio Bahia Ambiental, do governo do estado da Bahia; e o Prêmio Internacional de Gestão Pública Municipal, concedido pelo Instituto Brasileiro de Estudos Especializados (Ibrae).
O prefeito de Maracás, Nélson Luiz dos Anjos, explica que transformar o município na cidade das flores exigiu orientação de especialistas, força de vontade, treinamento e muita organização. "O prefeito da época, Fernando Carvalho, foi buscar o apoio de técnicos da cidade de Holambra, em São Pauto, que foram até Maracás, ensinar técnicas de cultivo, treinar os envolvidos e dar consultoria para que a floricultura se desenvolvesse na cidade", conta.
Segundo ele, também foram criadas associações comunitárias, formadas por desempregados e por outras pessoas da população, que produzem e comercializam as flores.
Cada família associada trabalha em um terreno de 300 metros, arrendado pela prefeitura, que também fornece mudas, sementes, adubo e assistência técnica. Nessa área, é possível gerar uma renda média de um salário mínimo por mês com o cultivo das flores. "Tem produtor que consegue tirar até R$ 600 por mês", destaca o prefeito.
Outra iniciativa criativa foi o incentivo ao plantio de flores nos quintais das casas. "Essa ação oferece às famílias uma ótima oportunidade de geração de renda extra", destaca o prefeito.
Os floricultores também recebem apoio para armazenar e comercializar a produção. A prefeitura buscou apoio com antigos parceiros do projeto, com o governo do estado e o Sebrae/Bahia, para instalar uma câmera frigorífica e comprar dois caminhões frigoríficos adaptados para o transporte das flores que são comercializadas principalmente em Salvador, Ilhéus, Feira de Santana, Itabuna e Jequié.
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