São Paulo – Os investimentos diretos estrangeiros (IDE) ao redor do mundo somaram US$ 720,7 bilhões no primeiro semestre, um aumento de 2% em comparação com a segunda metade do ano passado, de acordo com o periódico Global Investment Trends Monitor (Monitor de Tendências do Investimento Global, em tradução livre), divulgado nesta terça-feira (18) pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad, na sigla em inglês).
De acordo com a organização, o avanço de 2% de um semestre para o outro é uma continuidade da retomada moderada dos investimentos registrada em 2010. A entidade destaca, porém, que as perspectivas de crescimento foram reduzidas na metade deste ano com a crise da dívida na Europa, a estagnação da economia norte-americana e, consequentemente, a queda da confiança dos investidores.
No primeiro semestre, assim como em 2010, os investimentos nos países em desenvolvimento e nas economias em transição (ex-bloco soviético) superaram o total aplicado nas nações desenvolvidas. A América Latina e o Caribe, por exemplo, receberam US$ 94,2 bilhões, um aumento de 5,1% em relação à segunda metade do ano passado.
O Brasil foi o país que mais atraiu recursos na região, US$ 32 bilhões, ou mais de um terço do total regional, segundo a Unctad. De acordo com o Banco Central do Brasil, os investimentos diretos estrangeiros no País somaram US$ 44 bilhões de janeiro a agosto. Segundo a pesquisa Focus, divulgada pelo BC nesta segunda-feira (17), a estimativa dos operadores do mercado para o ano inteiro é de US$ 60 bilhões, valor recorde.
“Na região como um todo houve um declínio significativo no valor das fusões e aquisições internacionais, após um ano de crescimento excepcional, mas os investimentos em novos empreendimentos empurraram o IDE para um patamar mais alto”, diz a publicação. A América Latina contrariou a tendência mundial, onde as fusões e aquisições cresceram e os novos investimentos diminuíram.
Para a África, o fluxo de investimentos somou US$ 30,2 bilhões, um avanço de 4,5% sobre o segundo semestre de 2010. De acordo com a Unctad, foi um crescimento moderado e devido principalmente à recuperação dos aportes na África do Sul, que tinham caído fortemente no ano passado.
“No entanto, a contínua incerteza política no Egito e na Líbia causou uma queda significativa no fluxo de IDE para o Norte da África, o que inevitavelmente vai obscurecer a performance geral do continente”, afirma o Monitor.
Na mesma linha, o relatório informa que os investimentos na Ásia Ocidental, ou Oriente Médio, caíram 32,9% em comparação com os últimos seis meses do ano passado. O total ficou em US$ 20,8 bilhões e é um pouco maior do que o registrado no primeiro semestre de 2010, que foi de US$ 20,6 bilhões.
“O IDE para a Ásia Ocidental mal havia se recuperado da queda da crise financeira internacional, na segunda metade de 2010, quando sofreu o impacto dos protestos no mundo árabe na primeira metade de 2011, empurrando o fluxo para baixo, próximo daquele do mesmo período do ano passado”, informa o texto. Segundo a Unctad, isso ocorreu apesar do aumento dos investimentos na Turquia, que atraiu um terço do total da região.
O restante da Ásia, porém, foi a região que registrou o maior crescimento de IDE no semestre passado. O aumento foi de 19,5% para US$ 184,2 bilhões. O desempenho foi puxado por China e Índia, mas houve crescimento também em outras economias importantes como Indonésia, Malásia e Cingapura.
Já os países desenvolvidos atraíram 3,9% menos IDE no primeiro semestre deste ano do que nos seis últimos meses de 2010. Apesar da turbulência recente, a Europa atraiu 15,2% mais recursos, num total de US$ 227,3 bilhões.
Toda a analise da Unctad é revestida de cautela. A previsão para o ano como um todo “continua cautelosamente otimista”, com desaceleração do ritmo de crescimento no segundo semestre. A entidade estima que o fluxo global de IDE vai encerrar 2011 próximo à média anterior à crise financeira de 2008, mas cerca de 25% abaixo do recorde atingido em 2007.

