São Paulo – A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, alertou nesta quarta-feira (09) para o que chamou de risco de uma crise global em “espiral” da economia real e do setor financeiro. Durante uma visita à China, Lagarde disse que os índices de desemprego continuam em níveis “inaceitavelmente elevados” nas economias desenvolvidas e afirmou que países e autoridades financeiras precisam atuar em conjunto para buscar uma solução para a crise.
“Se não agirmos, e agirmos juntos, poderemos entrar em uma espiral de incertezas, instabilidade financeira e colapso da demanda global. Em última análise, poderíamos nos defrontar com uma década perdida, de baixo crescimento e desemprego em alta”, afirmou Lagarde. Ela disse que, enquanto outras regiões do mundo ainda lutam para sair da crise, a Ásia já começou a se recuperar dela. No entanto, assim como qualquer outra região, o continente não está livre de sofrer as consequências desta crise.
Para a diretora-gerente do FMI, muitas ações vêm sendo feitas para combater a crise. Ela citou, por exemplo, o acordo feito em 26 de outubro entre os governantes da Zona do Euro para solucionar a crise grega, a recapitalização dos bancos europeus, a criação de barreiras para evitar o contágio desta crise europeia em outras regiões e o lançamento de bases para uma recuperação econômica vigorosa na Zona do Euro.
Lagarde, afirmou, porém, que os desafios atingem outros países e que é preciso perseguir uma recuperação forte, balanceada e sustentável nas economias avançadas. “Isso significa assegurar um equilíbrio entre política monetária e política fiscal, promover estabilidade e crescimento. Significa levar adiante políticas estruturais que promovam a competitividade e a geração de empregos e fortalecer a regulação para tornar o setor financeiro seguro e capaz de servir à economia real.”
Lagarde elogiou os países asiáticos, porém, disse que há “nuvens negras” no horizonte e que eles precisam se preparar para enfrentá-las. Ela afirmou que a China tem mantido sua política econômica no caminho correto, mas precisa agora incentivar o consumo doméstico e fortalecer a sua moeda, o yuan.

