São Paulo – Após os conflitos que puseram fim ao regime do ditador Muammar Kadafi, a Líbia tem pela frente o desafio da reconstrução das bases econômicas, da infraestrutura, do sistema bancário e do setor público. Esta é uma das conclusões apresentadas nesta segunda-feira (30) por uma delegação do Fundo Monetário Internacional (FMI) que visitou o país para avaliar os problemas a serem enfrentados.
A produção de petróleo era de 1,77 milhão de barris por dia em 2010, caiu para 22 mil em julho de 2011 e chegou a 980 mil em dezembro, depois da deposição e morte do ditador. O FMI avalia que já em 2012 o setor de hidrocarbonetos irá voltar ao patamar pré-crise, o que o ajudará o Produto Interno Bruto (PIB) a crescer.
O crescimento da economia, que foi de 0,5% em 2009 e de 2,9% em 2010, ficou negativo em 60% em 2011, segundo as estimativas do Fundo. Os cálculos indicam que o avanço será de 69,7% este ano, de 20,25% no próximo e de 6,6% em 2014. Em 2011, o PIB do ramo de hidrocarbonetos caiu aproximadamente 50%, e o dos demais setores, 71%.
No ano passado, a inflação subiu, o abastecimento de produtos e serviços básicos foi interrompido e as aplicações da Líbia no exterior foram congeladas. Além disso, o governo precisou realocar seus gastos para aumentar os salários do setor público, absorver a queda nas receitas do petróleo e para “necessidades humanitárias”. O país não perdeu o acesso a crédito externo.
A missão do FMI sugeriu que no curto prazo o país precisa garantir um ambiente seguro para poder atrair o setor privado e trabalhadores de outros países, que deixaram a Líbia durante os conflitos. No médio prazo, a Líbia precisa desenvolver uma estrutura sólida que tenha como meta buscar a estabilidade econômica, permitir o desenvolvimento do setor privado, criar um ambiente de crescimento inclusivo e reduzir a exposição da moeda às variações internacionais.
Alguns problemas precisam ser administrados. É o caso da folha de pagamentos do governo, que representava 9% do PIB em 2010 e vai responder por 18,7% em 2012. “Um nível elevado de salários no setor público reduzirá o incentivo para as pessoas procurarem emprego na iniciativa privada e mina os esforços de diversificação da economia”, observa o levantamento feito pelo FMI.
Segundo dados do Ministério do Trabalho líbio coletados pelo FMI, a taxa de desemprego é de 26% e só será ser reduzida com crescimento econômico, criação de empregos que incluam os mais jovens e diversificação da economia.

