São Paulo – O crescimento de 7,5% da economia brasileira em 2010, a mais alta taxa em 25 anos, demonstra que a gestão econômica prudente ao longo da última década aumentou a capacidade de resistência da economia brasileira aos choques externos. A recuperação da economia do país foi impressionante.
Esta é a avaliação do diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, que cumpriu extensa agenda nesta quinta-feira (3) em Brasília, reunindo-se com o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e com a presidenta Dilma Rousseff.
Em nota distribuida à imprensa, Strauss-Kahn afirmou ainda que o FMI apoia a ênfase do governo da presidenta Rousseff à continuação da redução da pobreza no Brasil.
De acordo com ele, ao longo da última década foram obtidos progressos substanciais nesta área, associados também a uma impressionante expansão da classe média. "Saber que o Bolsa Família está sendo copiado em diversos países, inclusive Estados Unidos, diz bastante sobre o impacto social positivo e a solidez macroeconômica do país", disse.
Pilares da resistência
Sobre a capacidade de resistência da economia brasileira, o diretor do FMI disse que ela está baseada principalmente nos três pilares de responsabilidade fiscal, política de metas de inflação e taxa de câmbio flutuante, bem como no uso habilidoso de políticas anticíclicas durante a crise.
"Um ambiente internacional favorável, liquidez internacional ampla e altos preços das commodities permitiram que o Brasil contivesse de forma eficaz os efeitos negativos da crise", disse Strauss- Kahn.
No entanto, ele entende que o sucesso dos últimos anos traz novos desafios. Para o diretor-geral do FMI, no curto prazo será importante implementar uma combinação adequada de políticas econômicas para conter as pressões inflacionárias e assegurar o crescimento econômico sustentável no médio prazo e, simultaneamente, administrar as dificuldades associadas ao grande fluxo de entrada de capitais.
Desafio
Para Strauss-Kahn, no médio prazo o principal desafio do Brasil é aumentar o potencial de crescimento da sua economia e continuar a avançar na direção da redução da pobreza e das desigualdades, de forma que a prosperidade atual sirva de alicerce para um crescimento econômico sustentável que beneficiará as gerações futuras e ajudará cada vez mais brasileiros a sairem da pobreza.
Ele destacou quatro áreas que o país poderia obter progressos significativos: 1) reforma tributária, para ampliar os investimentos e o crescimento; 2) redução da rigidez orçamentária para ajudar a aprimorar a gestão das finanças públicas; 3) reforma da previdência social para assegurar a sustentabilidade do sistema no longo prazo e criar maiores incentivos para a poupança privada; e 4) melhoria do ambiente de negócios para sustentar os planos do Brasil de estimular o potencial de crescimento da economia.
Para ele, em razão do ambiente externo ainda desafiador, será essencial que o Brasil continue a desempenhar um papel de destaque na arena internacional, particularmente no G-20. O diretor do FMI acha que cooperação internacional constante é necessária para solucionar os desequilíbrios globais (como os fluxos de capitais fortes e voláteis e pressões sobre as taxas de câmbio), prevenir crises futuras e evitar que um país tome medidas isoladas que possam prejudicar a recuperação global. "É particularmente importante resistir a medidas protecionistas", afirmou.

